Ingrid Betancourt é resgatada na Colômbia

Depois de mais de seis anos de cativeiro, a política colombiana Ingrid Betancourt foi resgatada nesta quarta-feira, em uma operação do Exército da Colômbia que libertou outros 14 reféns do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Vestida com um colete militar e com os cabelos presos sob um chapéu, Betancourt teve um encontro emocionado com a mãe, Yolanda Pulecio, e com outros familiares e amigos ao desembarcar em um avião da Força Aérea na capital da Colômbia, Bogotá.

BBC Brasil |

Logo depois, ainda na base aérea de Bogotá, Betancourt contou como foi o resgate e disse que sua libertação é "um milagre".

"Obrigada ao Exército, por sua operação impecável", disse. "Não existem antecedentes históricos de uma operação tão perfeita."
Resgate
A operação de resgate, realizada nesta quarta-feira no Estado de Guaviare, no sul do país, envolveu agentes do Exército infiltrados nas Farc.

Segundo o governo colombiano, os 15 reféns foram resgatados sem que "nenhum tiro" tivesse de ser disparado.

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que os rebeldes das Farc foram "enganados" pelos militares.

De acordo com Santos, os rebeldes entregaram os reféns pensando que seriam transportados no helicóptero de uma suposta organização de ajuda humanitária para outro campo, onde se encontrariam com o líder das Farc, Alfonso Cano.

A própria Betancourt disse que os reféns pensavam estar sendo transportados para outro cativeiro, como ocorria com freqüência.

Betancourt afirmou que só percebeu que se tratava de um resgate quando viu um de seus captores preso e vendado, no chão da aeronave.

Segundo ela, o comandante da operação disse então: "Somos o Exército nacional, vocês estão em liberdade".

"Saltamos, gritamos, choramos, nos abraçamos. Não podíamos acreditar nesse milagre", disse Betancourt.

Betancourt afirmou também duvidar que os líderes das Farc soubessem o que aconteceu.

Disse ainda esperar que os guerrilheiros que eram seus guardas e que ficaram na selva "não sejam sujeitos à justiça das Farc, porque não têm culpa do que aconteceu".

Reféns
Além de Betancourt, foram libertados três cidadãos norte-americanos, seqüestrados em 2003, e 11 policiais e soldados colombianos.

Eles faziam parte de um grupo de reféns considerados pelas Farc passíveis de troca por guerrilheiros presos.

Desse grupo, Betancourt, que tem dupla nacionalidade colombiana e francesa, era considerada a refém mais importante.

Ela foi seqüestrada pelas Farc em 2002, quando fazia campanha para as eleições presidenciais.

Em abril, em meio a relatos sobre o seu frágil estado de saúde, chegou-se a especular que Betancourt poderia estar morta. Na época, a política apareceu em um vídeo com semblante fraco e doente.

Em seu pronunciamento nesta quarta-feira, Betancourt pediu às Farc que libertem os demais reféns. Estima-se que cerca de 700 pessoas estejam em poder do grupo rebelde.

"Que este instante de felicidade não nos faça esquecer que isto é um milagre, que outros morreram", disse. "Vamos continuar lutando pela liberdade dos que ficaram."
Reações
O resgate de Betancourt e dos outros reféns foi comemorado por líderes de diversos países e festejado nas ruas de Bogotá e de outras cidades.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em uma nota esperar que, com a libertação de Betancourt, "tenha sido dado um passo importante para a libertação de todos os demais seqüestrados, a reconciliação de todos os colombianos e a paz na Colômbia."
Na França, o presidente Nicolas Sarkozy, que fez da libertação de Betancourt uma prioridade de sua política externa, deu uma declaração no Palácio do Eliseu ao lado dos dois filhos da ex-refém.

Sarkozy felicitou as autoridades colombianas pelo sucesso da operação e lançou um apelo para que as Farc cessem "um combate absurdo e medieval".

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, para elogiar a libertação dos reféns.

Segundo o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, houve uma "estreita cooperação" dos Estados Unidos na operação de resgate, incluindo informações de inteligência, equipamentos e treinamento.

À noite, em um pronunciamento transmitido pela TV colombiana, Uribe felicitou o Exército pelo sucesso da operação e pediu às Farc que libertem todos os reféns em seu poder e aceitem o convite do governo para negociar a paz.

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