Ingrid Betancourt é recebida por Sarkozy na França

A política colombiana Ingrid Betancourt, libertada após mais de seis anos como refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), chegou a Paris nesta sexta-feira, no aeroporto militar de Villacoublay. Ela foi recebida pelo presidente Nicolas Sarkozy e pela primeira-dama Carla Bruni logo ao descer do avião, acompanhada pelos filhos Melanie e Lorenzo Delloye, que vivem na França.

BBC Brasil |

Nicolas Sarkozy abraçou Betancourt e, ainda no aeroporto, os dois fizeram declarações à imprensa.

"Devo dizer (...) que esperamos por isto por muito tempo. Tínhamos esperança. Primeiramente, gostaria de dizer que toda a França está feliz por você estar aqui. E toda a França está impressionada pela forma como você voltou, com este sorriso, esta força", disse o presidente francês dando as boas-vindas à ex-refém.

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Presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao lado de sua mulher recebe Ingrid


"Sonhei com este momento por sete anos. É um momento emocionante, respirar na França e estar com vocês", disse a ex-refém.

"Estou voltando para casa. A França é minha família. Trago a vocês o agradecimento de todos os colombianos, tão felizes com esta libertação", acrescentou.

Ícone

Ingrid Betancourt se tornou uma espécie de ícone no país, um símbolo do drama de reféns em todo o mundo.

A ex-senadora, que tem dupla cidadania colombiana e francesa, foi resgatada na quarta-feira pelo Exército colombiano de um cativeiro na selva.

A assessoria do Palácio do Eliseu informou à BBC Brasil que o aeroporto militar de Villacoublay, por onde transitam personalidades do governo e chefes de Estado convidados, foi escolhido por razões de segurança.

AFP
Sarkozy beija Ingrid Betancourt
 Após ser recebida pelo presidente e pela primeira-dama Carla Bruni, Betancourt deverá participar de um encontro no Palácio do Eliseu, sede da Presidência da França, que terá a presença de membros dos comitês franceses de apoio a sua libertação, segundo comunicado da Presidência.

Em entrevista à imprensa francesa, Betancourt afirmou que "deverá ficar alguns dias no país".

Comemoração

Nos últimos anos, inúmeras personalidades, artistas e cidadãos franceses comuns se mobilizaram para obter a libertação de Betancourt.

A França toda, da capital às pequenas cidades, celebrou na quinta-feira a libertação da franco-colombiana.

Sinos tocaram, como no vilarejo de Saint-Lieux-Lafenasse, no sudoeste da França, e, em cidades maiores, como Estrasburgo, Lyon, Marselha e Paris, centenas de pessoas se reuniram em frente às prefeituras para celebrar o fim do seqüestro.

Em Paris, a comemoração teve um discurso do prefeito, Bertrand Delanoë.

A foto de Ingrid Betancourt está exposta há vários meses em frente ao prédio da prefeitura da capital. Na quinta-feira, foi colocada uma faixa com a inscrição "livre" sobre a foto.

Hervé Marro, porta-voz do comité de apoio à libertação de Ingrid Betancourt, disse ao jornal Le Monde que será a própria ex-refém que irá retirar sua foto da fachada da prefeitura de Paris.

Agenda

Ainda não há maiores detalhes sobre a agenda de Betancourt na França. Um deputado do Partido Verde pediu que a ex-senadora fosse convidada a fazer um discurso no Parlamento.

O secretário-geral da Presidência, Claude Guéant, afirmou que as autoridades francesas foram informadas sobre a libertação de Betancourt e dos demais reféns "15 minutos antes que as agências colombianas de notícias divulgassem a informação".

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, telefonou a Sarkozy para comunicar a notícia.

"Não esperávamos por um desfecho nesse momento preciso. Mas não ficamos surpresos, porque a idéia da operação havia sido comunicada pelas autoridades colombianas há vários meses", afirmou Guéant.

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