Ingrid Betancourt diz que mobilizações por sua libertação a salvaram

Cristina Cabrejas. Florença (Itália), 3 set (EFE).- A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt agradeceu hoje, em visita à cidade italiana de Florença, as mobilizações feitas em vários países para pedir sua libertação e que, segundo ela, a salvaram.

EFE |

Betancourt expressou seu agradecimento durante a cerimônia na qual recebeu a cidadania honorária de Florença (centro da Itália), que foi concedida em 2004 durante seu cativeiro.

"Durante estes longos anos de solidão naquele túmulo verde da selva eu ligava o rádio, como fazem os outros seqüestrados para ouvir as mensagens de suas famílias, e ouvia a minha mãe, que me contava o que o mundo estava fazendo por nós. Eu ouvia as vozes de vocês", declarou Betancourt durante a entrega da honraria.

A ex-candidata à Presidência da Colômbia afirmou que estas palavras e os atos realizados para pedir sua libertação deram alcance internacional a seu caso e os seqüestradores começaram a entender que tinham que respeitar sua vida.

"Quando tentei escapar, sabia que a pena por tentar a libertação seria a execução imediata. Tentei até cinco vezes e não consegui.

Porém, graças a vocês eles respeitaram minha vida", acrescentou.

A franco-colombiana afirmou que a mobilização internacional fez com que o Governo de Álvaro Uribe descartasse uma ação militar para conseguir a libertação e optasse por "um resgate inteligente, onde a libertação de todos, sãos e salvos, foi conseguida sem violência".

Durante o ato, Betancourt voltou a lembrar dos companheiros ainda em poder dos seqüestradores na selva, e disse a eles que, para que sejam libertados, "não é possível aceitar o resgate militar, pois seria sua morte. Entretanto, também é impossível esquecê-los".

Por outro lado, exigiu que os cidadãos e instituições colombianas aprendessem a perdoar, para poderem acabar com o conflito vivido no país.

"Temos que aprender a perdoar. Não se pode esquecer, para que a história não se repita, mas é necessário usar o perdão para que a Colômbia volte a ser um espaço de compreensão mútua e dê respostas ao mundo sobre como conseguir a paz", disse.

Betancourt recebeu a cidadania honorária de Florença durante uma cerimônia realizada diante de cerca de mil pessoas no salão do Cinquecento do Palazzo Vecchio, atual sede da Prefeitura.

O prefeito de Florença, Leonardo Domenici, disse que a cidade "nunca se esqueceu de Ingrid Betancourt" nestes seis anos de seqüestro.

"Ela esteve sempre presente em nosso coração e em nossa mente, pois se tornou um símbolo e agora é uma esperança para todos", acrescentou o prefeito, que se uniu à recente indicação feita pelas autoridades italianas para pedir que Betancourt receba o prêmio Nobel da Paz.

Domenici justificou a entrega da cidadania honorária a Betancourt por causa de "seu empenho social, intelectual e político na luta contra a corrupção e a favor da liberdade, da democracia e da defesa dos direitos humanos em seu país, a Colômbia".

Além disso, a capital toscana entregou à colombiana o "Lírio de Ouro", uma das maiores honrarias da cidade, concedida às pessoas ou entidades que trabalham para promover a paz e os direitos humanos.

A visita à Itália de Betancourt, na qual a ex-candidata se encontrou com o papa Bento XVI e o presidente italiano, Giorgio Napolitano, termina amanhã em Pisa, onde ela receberá o prêmio "Mulheres para a solidariedade", após o qual deve viajar para Nova York. EFE ccg/ev/fal

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