Ex-candidata presidencial se diz arrependida de ação em que pedia US$ 6,5 milhões por seu sequestro pelas Farc em 2002

AFP
Presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, cumprimenta ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt em 2 de julho de 2008, após sua libertação na Operação Xeque
A política franco-colombiana Ingrid Betancourt, ex-refém das Farc, desistiu de processar o Estado colombiano por seu sequestro e disse estar arrependida por ter entrado com um pedido de indenização no valor de US$ 6,5 milhões

"Não há nenhum ataque contra o governo que me libertou, contra o presidente (Álvaro) Uribe, a quem devo todo o agradecimento nem contra as Forças Militares. As únicas culpadas por meu sequestro são as Farc e quem me libertou foram herois", declarou em uma entrevista à rádio e canal Caracol.

Ingrid explicou que seu pedido de indenização milionário tinha como objetivo "se solidarizar com outros sequestrados para que sejam indenizados". "Essa soma astronômica e praticamente absurda é simbólica porque é muito difícil querer mensurar o sofrimento das famílias das vítimas do terrorismo", acrescentou.

Segundo o Ministério da Defesa colombiano, Ingrid e seus familiares apresentaram em 30 de junho duas solicitações de conciliação extrajudicial, nas quais pediam uma compensação monetária de US$ 13 bilhões de pesos (US$ 6,5 milhões de dólares).

As solicitações foram recebidas na sexta passada pela Procuradoria de Bogotá, que deve iniciar um processo de conciliação entre Ingrid, sua irmã, Astrid, sua mãe, Yolanda Pulecio, e seus filhos, Melanie e Lorenzo Delloye, de um lado; e o governo da Colômbia, de outro. Essa foi a primeira vez que a Procuradoria colombiana recebeu uma demanda desse tipo.

Com dupla nacionalidade - colombiana e francesa -, Ingrid foi sequestrada pelas Farc em fevereiro de 2002 e resgatada durante a Operação Xeque, realizada pelas forças militares colombianas em 2 de julho de 2008.

Em um comunicado, o Ministério da Defesa da Colômbia se declarou "surpreso e pesaroso" com a iniciativa, "especialmente pelo esforço e empenho da força pública no planejamento e na execução" da Operação Xeque, com a qual se conseguiu o resgate de Ingrid, de três americanos e 11 policiais e militares colombianos.

Além disso, reforçou que "mulheres e homens das Forças Armadas arriscaram a vida pela liberdade dos sequestrados" durante a operação, lembrando que "a própria doutora Ingrid Betancourt qualificou como 'perfeita'" a ação militar. O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, afirmou que o pedido de Ingrid representa um "precedente funesto" e "uma punhalada na força pública".

As autoridades colombianas expressaram sua "convicção de que não existe nenhum elemento objetivo que permita deduzir a responsabilidade do Estado" no sequestro de Betancourt e ressaltaram que a ex-refém havia "desconsiderado" as recomendações que a força pública fez, na ocasião, para que evitasse a viagem na qual foi capturada pelos guerrilheiros.

Ingrid, que na época em que foi sequestrada fazia campanha eleitoral pela presidência da Colômbia, foi levada juntamente com sua assistente, Clara Rojas, quando viajava para San Vicente del Caguán (sul), região onde acabava de ser suspensa a tentativa de diálogo entre o governo do presidente Andrés Pastrana (1998-2002) e as Farc.

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