Ingrid Betancourt apresenta sua fundação junto com prêmios Nobel da Paz

Paris, 13 dez (EFE).- A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt apresentou hoje uma fundação que leva seu nome, em um ato, em Paris, com vários prêmios Nobel da Paz, cujo objetivo é desenvolver projetos para ajudar vítimas de violações dos direitos humanos.

EFE |

A Fundação Ingrid Betancourt (FIB), explicou a própria, pretende ser "um instrumento para ajudar os que sofrem" e "construir essa corrente de amor que mude as atitudes e que pode mudar o mundo".

A ex-candidata presidencial da Colômbia, que reiterou que não tem vontade de voltar à política ativa, disse que as três grandes idéias existentes por trás de sua iniciativa são promover a paz, lutar pela justiça social e pela preservação do meio ambiente.

Entre os primeiros projetos que pretende desenvolver, e que devem se concretizar inicialmente na Colômbia, há um destinado a adolescentes de 14 a 15 anos em zonas onde estão suscetíveis a se alistar à guerrilha como saída para melhorar sua situação.

"Vamos trabalhar para que esses meninos sejam o que quiserem", ter um trabalho, estudar na universidade ou ser artistas, porque "nosso objetivo é quebrar esse círculo vicioso pelo qual as crianças são empurradas para a violência e a guerra", disse à imprensa, ao término do ato final da 9ª "cúpula" de agraciados com o Prêmio Nobel da Paz.

Outra iniciativa será criar "uma universidade" que se encarregue do estudo das mais de 150 línguas indígenas existentes na Colômbia, "para protegê-las, para fazê-las vivas".

Entre os objetivos formais da fundação, destaca-se a intenção de "favorecer de todas as formas possíveis, envolvendo a população e a comunidade internacional, um processo de paz e de reconciliação nacional na Colômbia e em outras regiões do mundo submetidas a condições semelhantes".

Sobre isso, disse que o papel da comunidade internacional "é muito importante", porque "o problema colombiano afeta a região, afeta o continente sul-americano e afeta o mundo".

"Tenho muita esperança de que todos os países da América do Sul e todos os presidentes vão refletir sobre uma união", e "nessa união vamos encontrar o caminho para a libertação dos reféns colombianos", um passo "muito importante, porque, quando for alcançado, estará aberto na Colômbia o caminho da paz", disse.

Sobre suas possibilidades de ganhar o Prêmio Nobel da Paz, disse: "vou fazer o que tenho que fazer com muita humildade", e agradeceu a oportunidade de apresentar sua fundação com pessoas que receberam esse prêmio.

No ato de fechamento da "cúpula" do Nobel da Paz, estavam Frederik de Klerk, Lech Walesa, John Hume, Mariead Corrigan Maguire e Betty Williams.

Betancourt adiantou que a ação da FIB se estenderá fora da Colômbia, e que já estão estudando um projeto na Belarus com crianças.

Sobre as Farc, disse que "precisam de uma mutação", ou seja, "mudar seus fuzis pela palavra", porque, enquanto continuarem tomando reféns e atacando a população, "não serão aceitos como verdadeiros interlocutores para um diálogo na Colômbia, que é necessário".

"Quero que cheguem a se sentir em um povo que mudou muito, em um país que mudou muito e no qual sinto que as Farc não têm idéias e só apresentam sofrimento e violência", sentenciou. EFE ac/an

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