Ingrediente industrial comum pode proteger contra Aids

Por Maggie Fox WASHINGTON (Reuters) - Um ingrediente barato, usado em sorvetes e cosméticos e presente no leite materno, ajuda a proteger macacas contra a infecção por um vírus similar ao da Aids, e pode funcionar para proteger mulheres contra a doença, disseram pesquisadores na quarta-feira.

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O monolaurato de glicerol (GML) parece conter inflamações e afastar as células que o vírus da Aids costuma atacar, segundo os pesquisadores.

Embora não represente 100 por cento de proteção, pode reduzir muito o risco de contaminação entre mulheres. O produto poderia ser usado discretamente e sem reduzir as chances de gravidez, ao custo de poucos centavos por aplicação, de acordo com o artigo publicado na revista Nature por Ashley Haase e Pat Schlievert, da Universidade de Minnesota.

"Há anos as pessoas usam o composto como agente emulsificador em uma variedade de alimentos...Ele está no leite materno", disse Schlievert a jornalistas por telefone.

O GML está sendo considerado como um aditivo em absorventes porque interfere nas bactérias, particularmente aquelas que podem provocar uma infecção potencialmente fatal, chamada síndrome do choque tóxico.

Se for demonstrado que ele funciona com segurança em mulheres, o GML pode ser o primeiro caminho fácil para um microbicida - um gel ou creme que as mulheres pudessem usar na vagina para se proteger contra a transmissão do vírus HIV.

O vírus contamina 33 milhões de pessoas no mundo, principalmente na África, e já matou 25 milhões. As principais formas de transmissão são pelo contato sexual, pelo sangue e pelo leite materno.

Especialistas dizem que as mulheres casadas estão particularmente vulneráveis porque muitas vezes seus maridos adúlteros se recusam a usar preservativos, ou o casal está tentando ter filhos. Por isso, novas formas de prevenção precisam ser seguras e íntimas.

Um microbicida também pode ajudar a proteger homens em relações homossexuais.

A equipe de Haase e Schlievert aplicou o GML, misturado ao gel KY, em vaginas de macacas submetidas ao vírus SIV, versão símia do HIV.

Quatro de cinco macacas não foram contaminadas, e os exames mostram que o GML afetou a reação imunológica.

O HIV é especialmente difícil de combater porque afeta todas as células do sistema imunológico, a defesa do organismo contra um vírus. Quando o HIV infecta uma área como a vagina, as células CD4-T correm em defesa. O corpo dispara sinais químicos chamados citoquinas para trazer mais células T. O HIV pode então contaminar todas elas e se espalhar.

O GML parece impedir a citoquina de pedir ajuda e impede que tantas células-T cheguem à área, disseram Haase e Schlievert. Isso por sua vez reduz a chance de o HIV se instalar.

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