A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou em um relatório divulgado nesta quarta-feira que o número de trabalhadores informais pode atingir dois terços da força de trabalho mundial até 2020. A OCDE afirma que existem atualmente no mundo 1,8 bilhão de trabalhadores no setor informal, ou 60% da força de trabalho global, que vivem sem um contrato de trabalho ou previdência social, e 1,2 bilhão de pessoas trabalham sob contrato e têm previdência social.

O relatório da organização acrescenta que, com a crise mundial, o número de trabalhadores sem segurança no emprego ou benefícios está aumentando.

E o aumento do número de trabalhadores no setor informal terá "consequências graves" para países pobres, de acordo com o documento.

Segundo dados da organização, a atividade econômica informal é maior em algumas das regiões mais pobres do mundo.

África
Na região da África ao sul do Deserto do Saara, 75% dos empregos no setor fora da agricultura não têm segurança, direitos legais ou qualquer tipo de benefício. No sul da Ásia, o problema atinge 66% da força de trabalho.

Já na América Latina, metade dos trabalhadores estão no setor informal. Mas, se os trabalhadores do setor de agricultura fossem incluídos, os números em cada região seriam ainda mais altos, segundo o relatório da OCDE.

Como razões para este problema na América Latina, por exemplo, a OCDE afirma que trabalhadores registrados "frequentemente são obrigados a pagar por um pacote de programas, alguns dos quais eles nem querem".

"A crise financeira está deixando muitas pessoas desempregada e, nos países em desenvolvimento sem proteção para o desemprego, estas pessoas são obrigadas a aceitarem empregos informais com baixos salários, sem proteção e de alto risco", acrescentou a OCDE.

A organização também alerta que o número de empregos informais poderá aumentar, pois imigrantes que precisarão voltar para seus países com o aprofundamento da crise econômica mundial serão forçados a entrarem na informalidade.

Linha da pobreza
A OCDE afirma que 700 milhões de trabalhadores do setor informal vivem com menos de US$ 1,25 por dia e 1,2 bilhão ganham menos de US$ 2 por dia.

O relatório afirma que, mesmo com fortes taxas de crescimento, países como o Brasil, China e Índia têm um crescente número de empregos de baixa qualidade no setor informal.

"Apesar de a Índia ter crescido 5% ao ano na última década, as pessoas sentem que não estão sendo criados empregos melhores, já que nove entre dez funcionários, cerca de 370 milhões de pessoas, não têm acesso formal à previdência social", disse Johannes Jutting, um dos autores do relatório da OCDE.

A organização afirma que o crescimento no setor informal "gera a segmentação no mercado de trabalho, que bloqueia o crescimento e cria desigualdades".

E, como resultado disto, o sistema de impostos e benefícios em muitos países pobres não consegue redistribuir a riqueza.

Mulheres, jovens e idosos, que têm uma representação desproporcional no setor informal, devem ser os mais atingidos pelas disparidades.

Objetivos do G20
Na recente cúpula do G20, líderes mundiais prometeram como prioridade o crescimento no número de empregos e também prometeram destinar mais recursos para países pobres.

Mas a OCDE afirma que é necessária "uma ação imediata e não convencional" para melhorar as perspectivas de emprego entre os que estão no setor informal, incluindo a concessão de mais microcrédito, mais programas de trabalho públicos e programas de transferência de dinheiro para melhorar as qualificações e infraestrutura.

A organização acrescenta que os países emergentes devem analisar suas políticas, principalmente as que regulamentam o trabalho, para tratar do problema.

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