Influência americana em extremista norueguês causa polêmica nos EUA

Em manifesto, autor de massacre na Noruega faz menção admirada a pequeno grupo de blogueiros e escritores ultraconservadores de país

Carolina Cimenti, especial para o iG, Nova York |

Divulgação
A blogueira e comentarista americana Pamela Geller
Poucos dias após o massacre da Noruega, em que o fundamentalista cristão anti-islâmico Anders Behring Breivik deixou ao menos 77 mortos , o jornal americano New York Times publicou a manchete: “Massacre põe linha de pensamento antimuçulmana americana em foco”.

Com base em um manifesto de 1,5 mil páginas publicado pelo extremista horas antes do ataque duplo com carro-bomba em Oslo e a tiros na Ilha de Utoya , a matéria informava que o assassino foi profundamente influenciado por um pequeno grupo de blogueiros e escritores americanos.

Na longa declaração de Breivik, um parágrafo foi dedicado às pessoas que ele admira, acompanha e lê diariamente. “Observei por grande parte do ano um número de seres humanos decentes, incluindo, mas não somente, Pamela Geller, Paul Belien, Diana West, o Barão do blog Gates of Vienna e muitos outros.”

O documento, contraditoriamente, também elogia a rede terrorista Al-Qaeda como uma organização que atingiu grandes objetivos, o seu líder morto, Osama Bin Laden , assim como o presidente americano, Barack Obama. No manifesto, Breivik também ensina a fazer bombas e como organizar um massacre, e dá mostras de uma possível insanidade mental .

A influência causada por ultraconservadores americanos, porém, chocou muitos leitores do jornal e está desencadeando uma discussão polêmica no país. Ao ser questionada se considera que é islamofóbica,  foi sucinta em entrevista por email ao iG : “Isso é ridículo. Claro que não.”

Depois, com mais calma, a autora respondeu outras perguntas. “Tenho grande respeito pelos muçulmanos como seres humanos. Mas sou contra e luto contra a falta de liberdade que essa religião prega, principalmente contra as mulheres”, disse.

Em relação ao assassino norueguês, Pamela se disse ultrajada. “Toda essa discussão é ridícula. Anders Behring Breivik é responsável por suas ações. Se qualquer pessoa o incitou à violência, foram os islâmicos supremacistas, não eu. Se alguma coisa o incomodou, foi o relacionamento entre a Europa e o Oriente Médio, e não os Estados Unidos”, escreveu.

Independentemente do tipo de responsabilidade que islamofóbicos ou muçulmanos radicais possam carregar em um massacre como o da Noruega, o evento deixou claro que qualquer tipo de radicalismo que não respeita o multiculturalismo pode ser perigoso e cruzar fronteiras facilmente. Autor confesso do ataque duplo, Breivik, sozinho, matou mais pessoas em seu país que quatro terroristas islâmicos nos atentados de Londres de 7 de julho de 2005 .

De acordo com o seu manifesto, seus ídolos estão nos dois lados do Oceano Atlântico. Ele se inspirou em palavras do político de extrema direita holandês Geert Wilders, na política francesa radical Marine Le Pen , assim como em republicanos como Newt Gingrich e Peter King, que lutam contra os direitos dos muçulmanos na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos.

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