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Inflação recorde expõe medo de estagflação , dizem jornais britânicos

A alta recorde da inflação em maio na Grã-Bretanha alimenta temores do retorno da estagflação, afirmam jornais britânicos nesta quarta-feira. Uma análise publicada no Independent diz que diante do índice de 3,3%, o maior registrado desde 1997, o primeiro-ministro Gordon Brown terá de mostrar ao país como lutar contra a estagflação, termo que define uma situação econômica marcada por recuo da economia e inflação alta.

BBC Brasil |

"Os números confirmam que a meta de 2% para a inflação - a jóia da coroa da estratégia econômica do governo - não passa agora de uma irrelevância gloriosa", diz o jornal.

"A inflação não vai voltar à sua meta oficial antes de 2010 ou 2011. À medida que os preços aumentam, veremos pelo menos uma fração do que os economistas chamam de crescimento negativo. Quer dizer, vamos ver a economia afundar pela primeira vez desde 1992. A estagflação está de volta", prevê o diário.

Na opinião do jornal, o panorama de estabilidade econômica prometido por Gordon Brown, "está se esfarelando junto com seus planos de reduzir a pobreza".

Efeito espiral
Opinião semelhante é defendida pelo The Guardian. O jornal acredita que "a esperança do Banco Central britânico é de que os salários não acompanhem o ritmo da inflação, o que poderia causar um efeito em espiral".

"Não há sinais de que isto vá acontecer ainda, mas se este for o caso, será o retorno da estagflação, a era em que os preços subiam mesmo quando a economia estava em baixa", diz o diário britânico.

O jornal afirma que o aumento recorde da inflação na Grã-Bretanha em maio é reflexo do aumento do preço dos alimentos e combustíveis em todo o mundo.

"O custo de vida está crescendo tanto nos países ricos quanto pobres. A globalização possibilitou aos países ocidentais empregar mão-de-obra barata e aos consumidores comprar bens manufaturados baratos".

"Ao mesmo tempo, tornou milhões de chineses, indianos e outros em consumidores exigentes, com dinheiro para comprar carne e trocar a bicicleta pelo scooter".

Otimismo
Já para o Daily Telegraph e o The Times, a inflação recorde deve ser encarada com otimismo.

O The Times diz que há grandes diferenças entre a atual taxa de 3,3% e a registrada em 1975, quando o índice bateu 25%.

"Há diferenças claras", diz o jornal. "Para começar, os preços do setor imobiliário - que representam um índice de preços muito importante - não estão subindo", diz o diário.

"E à medida que os investidores neste mercado começam a se sentir mais pobres, também começam a frear seus gastos".

Ainda para o jornal, outra razão para se manter o otimismo é a determinação do Banco Central em "fazer o que for preciso para conter a inflação, inclusive aumentar a taxa de juros".

"Isto significa que há boas chances de que a inflação desapareça", afirma o The Times.

Para o Daily Telegraph, é hora de ser "positivo e não negativo". O jornal diz que a desaceleração da economia, com a queda dos preços do setor imobiliário e o aumento do desemprego irão, por si só, puxar os gastos para baixo, o que terá um impacto positivo sobre a inflação.

O diário diz que os dados divulgados pelo BC britânico "se baseiam na esperança de que o país sentiu de uma vez só o duro golpe causado pela explosão das commodities e que não há mais surpresas desagradáveis por baixo dos panos".

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