Industrializados e emergentes divergem sobre mudança climática

Fernando A. Busca.

EFE |

L'Aquila (Itália), 9 jul (EFE).- O segundo dia da Cúpula de chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete país mais industrializados e a Rússia), na cidade italiana de L'Aquila, terminou hoje com novos compromissos em matéria de comércio e economia, mas sem um total consenso sobre as medidas que devem ser adotadas contra a mudança climática.

A entrada das chamadas potências emergentes do Grupo dos Cinco (G5, formado por Brasil, México, China, Índia e África do Sul) nas reuniões da cúpula fez com que o acordo conquistado ontem pelo G8 sobre a redução das emissões de gases do efeito estufa encontrasse hoje muito mais dificuldades para um apoio geral.

Na verdade, esta quinta-feira terminou sem um número fixado para a redução da emissão de gases nocivos, uma questão que foi deixada para os próximos meses e que será abordada na Cúpula Mundial sobre o Clima de dezembro, em Copenhague.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também presente em L'Aquila, se mostrou "insatisfeito" com a falta de acordos concretos hoje sobre a redução das emissões de gases do efeito estufa.

No entanto, aplaudiu o compromisso dos países do G8 (Estados Unidos, Japão, Canadá, França, Itália, Alemanha, Reino Unido e Rússia) de ontem em sua aposta por reduzir em 50% as emissões de gases e, até mesmo, acima de 80% no caso dos desenvolvidos.

Ban anunciou ainda uma conferência internacional sobre mudança climática em Nova York que será realizada no dia 22 de setembro, às vésperas da cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), na cidade americana de Pittsburg.

Um maior consenso foi alcançado em matéria de economia, com um acordo entre os membros do Fórum das Principais Economias (MEF, na sigla em inglês), formado por G8, G5 e Indonésia, Coreia do Sul e Austrália, para fechar com uma "conclusão ambiciosa e equilibrada" as negociações da Rodada de Doha para 2010.

Com o objetivo de impulsionar a liberalização do comércio internacional e a luta contra a crise, estes 16 países conseguiram carimbar nesta quinta-feira vários compromissos em matéria econômica.

O acordo para fechar a Rodada de Doha para 2010 não possui qualquer compromisso concreto na liberalização do comércio de produtos agrícolas, o que até agora bloqueou as negociações.

No entanto, os líderes do MEF destacaram a vontade de desbloquear as negociações iniciadas em 2001 e anunciaram ainda que durante as reuniões alcançaram outros compromissos, como o de "não recorrer à desvalorização das moedas nacionais" como método para estimular suas exportações.

Além do avanço nas negociações comerciais, os Estados reunidos na cúpula se comprometeram a reformar a legislação financeira e reestruturar as instituições internacionais.

Os líderes mundiais reunidos em L'Aquila, epicentro do terremoto de abril que deixou 299 mortos, afirmaram desde o início da cúpula, nesta quarta-feira, que constatam uma melhora da economia global, mas advertem que ainda existem riscos.

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, anunciou hoje em entrevista coletiva nesta cidade italiana que prevê que o desemprego continuará aumentando no ano próximo.

"Aconteça o que acontecer com os tempos da recuperação, mais longos serão os efeitos sobre o mercado de trabalho", disse.

Neste sentido, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, anfitrião da cúpula na qualidade de presidente rotativo do G8, disse que o componente humano da crise continua sendo uma das principais preocupações para os líderes mundiais. EFE fab-mcs/mh

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