Indústria espacial da Flórida procura se reinventar em tempos de crise

Wendy Thompson. Orlando, 21 fev (EFE).- O futuro da era espacial está nas viagens comerciais e a Flórida, sede do Centro Espacial Kennedy de Cabo Canaveral da Nasa (agência espacial americana), prepara-se para competir nesse mercado quando terminar o programa de naves espaciais dos Estados Unidos no final deste ano.

EFE |

No centro da Flórida se estabeleceu uma vibrante indústria espacial com alta tecnologia cujas operações estão vinculadas com o Centro Espacial Kennedy, considerado coluna vertebral do programa espacial americano.

Mas os analistas preveem que o setor pode se ressentir ao desaparecer o programa das naves e para enfrentar esta possível recessão, o governador da Flórida, Charlie Crist, iniciou o projeto de Lei de Transição e Revitalização Espacial.

O plano estabelecerá um fundo econômico para o desenvolvimento de novos negócios na Flórida, a criação de empregos e crescimento econômico quando chegar o momento de dizer adeus ao programa.

Crist também apoia um orçamento de US$ 32,6 milhões que a Assembleia Legislativa estadual deve incluir no orçamento de 2011 para "transformar a indústria aeroespacial da Flórida e satisfazer as necessidades do futuro".

"Devemos aproveitar as vantagens do talento, da tecnologia e da infraestrutura (aeroespacial) da Flórida, para nos converter no principal centro da prospecção espacial comercial e pública", disse o vice-governador Jeff Kottkamp.

Nessa mesma linha estão alguns integrantes da Nasa, do Centro Espacial Kennedy, da Força Aérea dos Estados Unidos, contratistas, especialistas e congressistas tanto estaduais como federais, que esta semana se pronunciaram a respeito em uma Cúpula Estatal da Indústria Espacial, realizada em Orlando.

A cúpula teve como objetivo a troca de ideias sobre como melhorar a indústria espacial da Flórida em termos de sua expansão rumo a novos mercados, desenvolvimento tecnológico e o uso avantajado de sua infraestrutura espacial.

Apesar dos anúncios de injeção de recursos e o projeto de lei, o panorama é sombrio por causa da perda de mais de cinco mil empregos no setor e o futuro incerto que milhares de pessoas que trabalham no programa de naves enfrentarão.

A isso se soma o recente cancelamento do programa "Constelation" por parte do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a redução do orçamento da Nasa.

"Em um princípio causa desgosto que o orçamento anual seja muito menos do que projetávamos, mas ao mesmo tempo, é uma oportunidade para crescer e buscar novas oportunidades", disse Charles Scales, representante da Nasa sobre o corte equivalente a US$ 6 bilhões.

Mark Nappi, representante da United Space Alliance, contratista da Nasa, destacou que perante a crise financeira internacional e o desaparecimento dos programas "devem ser buscadas estratégias que minimizem a queda e que a Flórida não perca sua condição de capital espacial da nação".

Para Bob Walker, representante da empresa de contratistas Wexler and Walker, a transição enfrentada pela Flórida rumo a uma indústria espacial comercial "tem que ser amparada sem medo, já que a mesma não é surpresa para ninguém".

Especialmente, acrescentou, em momentos de crise financeira internacional, nos quais a busca de novos mercados e a participação cada vez mais expansiva de nações como Rússia, França e Áustria obrigam a Flórida "a se reinventar como um estado amistoso para investidores internacionais".

Frank DiBello, diretor da Space Florida, um organismo estatal que procura posicionar a Flórida como líder internacional nas pesquisas e investimentos aeroespaciais, disse que o estado enfrenta "um novo paradigma" onde ao mesmo tempo que concorre para ganhar mais terreno no mercado global aeroespacial, deve criar alianças.

"Isto não podemos fazer sozinhos, temos que trabalhar em equipe, compartilhar, colaborar e aplicar a tecnologia para avançar na produção de clientes em áreas de proteção e segurança cibernética e produção agrícola", entre outros.

Segundo DiBello, a Flórida está considerando ampliar seus portos aeroespaciais e de lançamentos além de Cabo Canaveral e Cape Field, com o objetivo de transformá-los em uma "rede flexível que atrairia mais lançamentos comerciais".

Atualmente, a Flórida tem apenas 3% de participação no mercado aeroespacial comercial no qual França e Rússia estão na dianteira.

"Noventa e sete por cento deve ser visto como oportunidades de mercado para a Flórida", disse Bob Cabana, diretor do Centro Espacial Kennedy, reiterando que o futuro da indústria espacial da Flórida implicará não só concorrência, como também "compartilhamento, desenvolvimento e colaboração". EFE wt/ma

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG