Indonésia teme represálias por execução dos autores dos atentados de Bali

Centenas de simpatizantes participaram neste domingo no enterro dos três terroristas islamitas executados na véspera por causa dos atentados de Bali e as autoridades locais se mantêm em alerta por receio de represálias.

AFP |

A polícia indonésia e centenas de pessoas, entre elas militantes islamitas, se enfrentaram pela manhã em Tenggulum, pouco antes da chegada ao povoado de dois dos três corpos dos terroristas executados.

"Fora!", "Jihad" (guerra santa) e "Allahi Akbhar" (Alá é grande) gritavam os militantes e familiares dos condenados à polícia.

A tensão era palpável também em Serang (oeste de Java), o povoado do terceiro fuzilado.

Em Tenggulun e Serang, militantes islamitas asseguraram neste domingo que a morte desses homens não ficará impune. "Eles são mártires. Combateram e morreram em nome do Islã. Sua morte não será uma derrota", declarou um deles.

O chefe supremo do Conselho de Ulemás, a alta autoridade islâmica na Indonésia, afirmou, no entanto, que não se pode considerar terroristas como mártires. "Quem mata não pode morrer como mártir, a menos que faça uma guerra em nome da religião, e não é o caso", explicou Umar Shihab.

Os três islamitas foram condenados à morte pelos atentados realizados em Bali em 2002, nos quais morreram 202 pessoas.

Ali Ghufron, 48 anos, seu irmão Amrozi, 47 anos, e o cabeça do grupo, Imam Samudra, de 38, foram executados pelo pelotão de fuzilamento na ilha-prisão de Nusakambangan, frente ao sul da ilha de Java.

Para evitar eventuais represálias, o governo indonésio reforçou nos últimos dias a segurança em torno de lugares sensíveis, como certas embaixadas em Jacarta, e na ilha de Bali, principal destino turístico do arquipélgado. A vizinha Austrália foi aconselhada a evitar viagens de seus cidadãos à Indonésia.

Os três fuzilados foram condenados à morte em 2003 por ter participado e organizado os atentados que causaram 202 mortes em um café e um nightclube de Kuta, em 12 outubro de 2002. Oitenta e oito australianos, 38 indonésios, 23 britânicos, 4 franceses, 3 suíços e dois canadenses morreram nos ataques.

Os atentados, os mais violentos cometidos até então depois do 11 de setembro nos Estados Unidos, foram atribuídos à Jemaah Islamiyah (JI), grupo muito ativo no sudeste da Ásia.

bur-jri/cn

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