O Exército da Indonésia armou e financiou as milícias responsáveis por uma série de violações de direitos humanos no conturbado período que antecedeu a independência do Timor Leste, de acordo com um relatório produzido por uma comissão bilateral. A comissão foi organizada pelos governos dos dois países com o objetivo de investigar os abusos cometidos pelas milícias quando a Indonésia desocupou o país, há nove anos.

O relatório responsabiliza o Exército indonésio por crimes como assassinato, tortura e estupros, cometidos pelas milícias pró-Indonésia em 1999.

De acordo com o documento, eles foram armados e financiados sistematicamente pelo Exército indonésio.

O relatório destaca ainda que os comandantes do Exército tinham conhecimento dos crimes, mas continuaram a armar e organizar os membros das milícias.

O texto diz ainda que a omissão das forças das Nações Unidas no Timor Leste permitiu que as milícias se rearmassem.

Responsabilidade
As autoridades civis na Indonésia também têm responsabilidade institucional pelos abusos.

Segundo o relatório, essas instituições continuaram a financiar as milícias, apesar de estarem a par dos abusos que estavam sendo cometidos.

Essas acusações não são novas, mas esse documento, mantido sob sete chaves, não foi encomendado pela ONU, e, sim, pelos governos da Indonésia e do Timor Leste.

Ele será entregue aos presidentes dos dois países na próxima semana.Para a comissão, os governos da Indonésia e do Timor Leste devem assumir responsabilidade pelas ações dos militantes.

O texto diz ainda que os grupos pró-idependência também cometeram violações, ainda que menores e de natureza menos séria.

A Indonésia afirma que a violência no Timor Leste em 1999 foi esporádica e resultado das ações isoladas de poucos indivíduos.

A questão agora é saber se uma eventual admissão de responsabilidade seria suficiente para consolidar uma reconciliação entre os dois países.

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