Indonésia fica em alerta por medo de represália após execução de terroristas

Juan Palop. Jacarta, 9 nov (EFE).- A Indonésia permanece em alerta máximo por medo de uma represália terrorista após a execução, nesta madrugada, dos três condenados pelos atentados de Bali, em 2002, que foram enterrados hoje por uma multidão de radicais e curiosos.

EFE |

A Polícia e o Exército ampliaram a vigilância em Jacarta, Bali e nos povoados de origem dos três fuzilados, onde houve distúrbios durante os enterros.

Imam Samudra, Amrozi e Ali Ghufron eram membros da Jemaah Islamiya, braço da Al Qaeda no Sudeste Asiático e que não conseguiu cometer nenhum atentado desde 2005, mas ainda conta com certa capacidade operacional, disseram à Agência Efe vários observadores internacionais.

"Com a execução dos réus, Bali não pode se descuidar", disse o chefe regional da Polícia na região turística, o inspetor-geral Ashikin Hussein. A ilha é considerada um dos principais alvos dos terroristas.

Durante as horas posteriores à execução, aconteceram várias ameaças.

Um fragmento do suposto testamento dos três réus foi publicado na internet, fazendo referência direta ao presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, ao vice-presidente e ao procurador-geral, mas, por enquanto, a Polícia não conseguiu provar sua autenticidade.

O estabelecimento da rede hoteleira Novotel em Semarang, quinta maior cidade do país, foi esvaziado após um aviso de bomba, que depois foi verificado que era falso.

Além disso, houve momentos de tensão durante o funeral dos três islamitas.

Soldados antidistúrbios tiveram de conter, em várias ocasiões, cerca de 500 radicais reunidos em Tenggulun, terra natal dos dois irmãos fuzilados, Amrozi e Ali Ghufron.

Os extremistas se reuniram no local para receber os corpos dos dois réus, que chegaram de helicóptero da ilha-prisão de Nusakambangan, com gritos em árabe de Allahu akbar (Alá é grande) e jihad (luta).

Eles chamaram os irmãos de mártires da guerra santa e vaiaram os policiais, para que saíssem do povoado.

Horas depois, membros das forças de segurança continuavam patrulhando as ruas de Tenggulun com rifles, cachorros e veículos blindados.

Enquanto isso, em Serang, terra natal de Imam Samudra, aconteceu um tumultuado funeral, durante o qual o corpo do terrorista foi levado da mesquita ao cemitério envolvido por uma tela preta e com uma inscrição em árabe do Alcorão.

Para minimizar os problemas de ordem pública, os cadáveres dos executados foram transferidos de helicópteros até suas localidades de origem, evitando uma procissão por terra que atraísse simpatizantes dos extremistas.

No âmbito político, vários partidos moderados afirmaram que a execução era a saída justa e correta para o processo.

Os três condenados foram fuzilados à meia-noite local na ilha-prisão de Nusakambangan.

Eles haviam sido condenados à pena de morte em outubro de 2003 e, após seis anos de batalha judicial, esgotaram, sem sucesso, todos os recursos legais para evitar a punição.

A Jemaah Islamiya foi fundada em 1995 com o objetivo de estabelecer um Estado islâmico independente formado por Indonésia, Malásia, Cingapura, além do sul das Filipinas e Tailândia, e a ela são atribuídos alguns dos atentados mais sangrentos dos últimos anos na região.

A Indonésia é a nação de maior população muçulmana do mundo - cerca de 200 milhões de fiéis, mais ou menos 90%, e a maioria professa um Islamismo moderado e rejeita o uso da violência. EFE jpm/fh/an

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