Indonésia executará três islamitas por 202 mortes em Bali

Juan Palop. Jacarta, 24 out (EFE).- Os três islamitas condenados à morte pelos atentados cometidos em Bali, em 2002, que causaram a morte de 202 pessoas, serão fuzilados no início de novembro, disse hoje a Procuradoria Geral da Indonésia.

EFE |

Jasman Panjaitan, responsável de comunicação da procuradoria, assegurou em entrevista coletiva que o ministro da Justiça, Andi Mattalata, "já assinou os documentos precisos" para a execução de Imame Samudra, Ali Gufron e Amrozi, membros da organização islamita Jemaah Islamiya (YI), braço direito da Al Qaeda no sudeste asiático.

"A decisão já está tomada. O processo já está concluído", disse, lembrando que os condenados esgotaram todas as vias legais possíveis desde que foram condenados à morte em outubro de 2003.

Desde então houve três recursos fracassados em distintas instâncias judiciais e um pedido ao Tribunal Constitucional indonésio, também rejeitado, no qual os réus solicitaram ser decapitados em vez de fuzilados, já que este método está mais ligado à jurisprudência islâmica, segundo eles.

No entanto, ainda resta fixar a data e o lugar onde os três condenados serão executados, confirmaram à Agência Efe fontes da procuradoria, pois esta é uma decisão que deve ser tomada pela própria instituição, baseando-se "em razões de segurança nacional".

Além disso, as fontes ressaltaram que a Polícia Nacional da Indonésia está "seguindo dia a dia" os movimentos dos grupos radicais dentro do país e prevê a possibilidade de uma reação violenta.

Quanto a este assunto, cinco pessoas foram detidas esta semana em Jacarta e nas proximidades acusadas de pertencer a uma célula radical que pretendia detonar explosivos em um depósito de combustível.

Recentemente, Imame Samudra declarou a uma revista radical que esperava mais atentados "como represália" caso ele e seus dois companheiros fossem executados.

Seguindo o procedimento legal pertinente, de 1969, os três condenados à morte serão informados sobre a data da execução com três dias de antecedência e continuarão isolados.

É possível que a Procuradoria Geral não publique este passo final do processo judicial, mas o comunique às famílias.

Jasman Panjaitan disse à imprensa que o fuzilamento será realizado em um lugar indeterminado da região de Cilacap, pequena ilha desabitada onde fica a prisão de segurança máxima de Nusakambangan, onde os três islamitas continuam presos.

Com este anúncio, o Executivo indonésio rompeu sua prática habitual de comunicar as execuções depois de efetuadas e deu a entender que o processo judicial contra os autores do massacre de Bali, em 2002, está terminado.

No entanto, esta semana os advogados dos três réus anunciaram que nos próximos dias poderão apresentar uma nova apelação em nome das famílias dos condenados para tentarem reabrir o processo.

Estes islamitas são os únicos três dos 33 condenados pelo maior atentado da história da Indonésia que receberão a pena capital.

A tragédia ocorreu em 12 de outubro de 2002 e consistiu em três explosões consecutivas de bombas: duas em uma movimentada área de bares e restaurantes para estrangeiros e outra, de pouca potência, mas de grande significado, diante do consulado dos Estados Unidos em Bali.

A YI, fundada em 1995, busca estabelecer um Estado islâmico independente formado por Indonésia, Malásia, Cingapura e pelas regiões do sul das Filipinas e da Tailândia, e a ela são atribuídos alguns dos atentados mais sangrentos dos últimos anos na região. EFE jpm/fh

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