Índios guaranis pedem garantias de combate à discriminação e à violência

São Paulo, 5 fev (EFE).- As comunidades guaranis do Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai, reunidas na cidade paranaense de Diamante DOeste, pediram hoje aos Governos desses países garantias de combate à discriminação, ao preconceito e à violência em seus territórios.

EFE |

O pedido encontra-se no documento final do primeiro "Encontro dos povos guaranis da América do Sul", que contou hoje com a participação dos ministros da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, e do Paraguai, Ticio Escobar. O documento contém as reivindicações dessa etnia.

O intercâmbio cultural a partir de uma modificação das leis de fronteiras dos quatro países, mediante o "livre trânsito cultural" de acordo com as tradições indígenas, foi outro dos pedidos feitos aos Governos.

O texto aprovou também a criação da Comissão de Coordenação Permanente do Povo Guarani, que participará da inauguração da Secretária Especial Guarani promovida pelo Mercosul.

Segundo o documento, os povos guaranis terão também uma comissão de representantes na Reunião Regional sobre Mudança Climática que será realizada na Bolívia em abril deste ano.

Em discurso, Ferreira afirmou que "a diversidade cultural é um patrimônio e não um problema. As diferenças existem e o povo brasileiro é o resultado das assimilações das características de povos como o africano, o indígena, o coreano, o árabe e o japonês".

Para o ministro brasileiro, o papel do Governo é de "promover o protagonismo desses povos".

Ferreira e Escobar, que se juntaram às danças indígenas apresentadas durante o encerramento do encontro, se comprometeram a apoiar as reivindicações desse povo, que era majoritário nos atuais territórios do Brasil e Paraguai quando chegaram os conquistadores europeus.

O maior encontro internacional dos povos da cultura guarani do Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina foi celebrado durante três dias na aldeia Tekoha Añetete, em Diamante D'Oeste.

A identidade cultural e os conflitos por terras foram os principais temas abordados pelos 800 representantes das etnias Kaiowá, Nhandeva e Mbyá (Brasil); Mbyá (Argentina); Chiriguano (Bolivia); Ache-Guayaki, Kaiowá, Mbyá e Avá-guarani, do Paraguai.

No Brasil, segundo um estudo de 2008 da Comissão Nacional de Terras Guaranis, ainda vivem 65 mil índios dessa etnia, dos quais cerca de 45 mil moram no Mato Grosso do Sul. EFE wgm/sa

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