Índios brasileiros pedem na Europa ajuda para salvar Amazônia

Índios brasileiros pediram ajuda esta semana aos políticos de Londres contra os ataques a suas terras na Amazônia, durante uma viagem pela Europa para lançar um apelo desesperado para salvar o território, que segundo eles, é cobiçado por poderosos latifundiários.

AFP |

Dois representantes dos povos indígenas macuxi e uapixana da reserva Raposa Serra do Sol, no norte do Brasil, se reuniram com parlamentares britânicos e com funcionários do Foreign Office (Chancelaria) para pedir apoio para enfrentar as invasões realizadas por "grupos de produtores de arroz poderosos".

Nas reuniões de quarta-feira com os líderes britânicos, Jacir José de Souza e Pierlangela Nascimento da Cunha, nomeados pelo Conselho Indígena de Roraima como representantes de seus povos, denunciaram a agressão e pediram apoio para combater a violência.

Os índios explicaram que a Raposa Serra do Sol - fronteira com a Guiana e a Venezuela - "tem sido submetida há anos a invasões de fazendeiros do sul do Brasil, que ocupam grandes extensões de terra para plantar arroz" e que saqueiam e até mesmo matam membros das suas tribos.

A viagem pela Europa, que já os levou a Madri, e que ainda tem na agenda as cidades de Bruxelas nesta quinta e, depois, Paris, Roma e Lisboa, coincide com o lançamento da campanha internacional "Anna Pata, Anna Yan" (Nossa Terra, Nossa Mãe), que busca o apoio de governos, ONGs e da sociedade civil para suas exigências.

"Esta é uma batalha crucial para os indígenas brasileiros e para a Amazônia. Se o arroz e os políticos conseguirem roubar a Raposa Serra do Sol, os índios de todo o Brasil poderão também perder suas terras", afirmou Stephen Corry, diretor da Survival International.

"Nós não podemos permitir que isso aconteça", disse o diretor da organização, que apóia a campanha para salvar Raposa do Sol da cobiça dos produtores de arroz.

A reserva Raposa Terra do Sol foi legalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005, após 30 anos de reivindicações dos quase 19.000 indígenas macuxi, uapixana, ingaricó, taurepangue e patamona, mas vários produtores de arroz continuam a ocupar grandes áreas do local.

ame/fb/fp

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