Indígena e neto de ex-ditador estão entre candidatos ao Congresso paraguaio

Ricardo Grance Assunção, 19 abr (EFE).- Um dirigente indígena, um neto do ex-ditador Alfredo Stroessner - general que governou o país com mão-de-ferro de 1954 a 1989 - e suspeitos de corrupção integram algumas das 22 listas para o Legislativo nas eleições gerais deste domingo no Paraguai.

EFE |

Além das eleições presidenciais, os paraguaios escolhem neste domingo senadores, deputados federais, parlamentares do Mercosul, governadores e deputados estaduais (membros das chamadas Juntas Departamentais).

Se o atual presidente do país, Nicanor Duarte, poderá ser o primeiro ex-chefe de Estado eleito para o Senado - encabeça a lista do Partido Colorado -, Margarita Mbywangi, de 46 anos, também terá a oportunidade de fazer história, na condição de primeira indígena a ocupar uma cadeira no Parlamento.

Margarita pretende representar no Senado a população indígena paraguaia que, dividida em 17 etnias, chegava a 85.674 pessoas em 2002, segundo o último censo oficial realizado, um número que representava 1,5% dos habitantes do país.

Na fronteira com o Brasil, no departamento de Canindeyú, 360 quilômetros ao nordeste de Assunção, Margarita milita no Movimento Popular Tekojoja (MPT), um dos grupos que apóiam a candidatura presidencial do ex-bispo Fernando Lugo, favorito nas pesquisas de intenção de voto.

"Quero realmente defender meu povo e o povo paraguaio mais desprotegido, porque percorri muitos departamentos e sei como nossa gente está vivendo e quais são suas necessidades", disse à Agência Efe a líder indígena.

Entre suas propostas, está a de buscar o "fortalecimento da agricultura dos povos indígenas com boa assistência técnica", e que a educação esteja "focada em costumes paraguaios", porque a oferecida até agora pelo Governo "não é para nós".

Além disso, no próximo Senado certamente estará presente um nome que não traz boas lembranças a muitos paraguaios: Alfredo Stroessner.

O neto do ex-general, e que possui o mesmo nome de seu avô, integra a lista do Partido Colorado, embora lidere uma facção dissidente da legenda.

"Goli", como é popularmente conhecido o neto do falecido ditador, não fez campanha pela candidata presidencial governista, a ex-ministra Blanca Ovelar, apesar de integrar a lista "colorada".

Os camponeses também devem contar com representação na Câmara Alta, por meio de Sixto Pereira, do MPT e que militou na Mesa Coordenadora Nacional de Organizações Camponesas (MCNOC), uma das principais do setor.

O dirigente negou à Efe que a coligação da qual faz parte, e que apóia Lugo para a Presidência, tenha a intenção de desapropriar latifúndios.

Explicou que "o que se propõe como medida inicial é a realização de um cadastro nacional para depois organizar o setor para a produção e fomentar as indústrias agrícolas de camponeses".

Embora entre as listas "coloradas" existam candidatos acusados de delitos e de corrupção, a maior polêmica é a participação de Duarte nas eleições, depois de não ter seguido adiante o pedido de impugnação da candidatura do atual presidente por parte de um setor da oposição.

O problema surgirá mais adiante, porque os membros do novo Legislativo assumirão seus cargos em 1º de julho, e Duarte, que encabeça a lista do Partido Colorado para o Senado, entregará a Presidência a seu sucessor em 15 de agosto, sendo que a Constituição proíbe ao chefe do Estado ocupar dois cargos ao mesmo tempo.

Em contrapartida, poderia desaparecer da Câmara Alta o sobrenome Argaña, porque Nelson Argaña, filho do vice-presidente paraguaio assassinado em 1999 Luis María Argaña, tem poucas possibilidades de ser eleito pela base governista, já que ocupa a 22ª posição na lista para o Senado.

Também são candidatos ao Congresso dois filhos de Lino Oviedo, candidato presidencial da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace).

EFE rg/fr/mh

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