Começa nesta segunda-feira no Senado americano sabatina para confirmar Elena Kagan no cargo

A procuradora-geral Elena Kagan, de 50 anos, indicada por Barack Obama à Suprema Corte dos Estados Unidos , prometeu nesta segunda-feira que adotará uma posição "modesta" e "se diferenciará de forma apropriada" das decisões do Congresso e do presidente americano se for confirmada no cargo. As declarações foram feitas por Elena ao Senado, onde está sendo sabatinada.

AP
A procuradora-geral Elena Kagan, indicada por Barack Obama para a Suprema Corte dos EUA, sorri ao chegar ao Capitólio, em Washington
Se confirmada pela Casa, Elena se tornará o membro mais jovem da mais alta jurisdição dos EUA e a quarta mulher a ser nomeada ao cargo depois de Sandra Day O'Connor, Ruth Bader Ginsburg e Sonia Sotomayor.

Como determinado pela Constituição, as audiências desta segunda-feira na Comissão de Justiça do Senado são transmitidas ao vivo pela televisão. Durante o processo, tudo é examinado pelos senadores: passado, experiência profissional, primeiros trabalhos escritos, equidade e moralidade.

Elena foi designada por Obama para para suceder ao juiz John Paul Stevens, de 90 anos, que anunciou sua aposentadoria em abril, em 10 de maio.

Desde então, a imprensa americana dissecou sua infância em Manhattan nos anos 60 e 70, seus estudos em Princeton, seus serviços na reitoria da Faculdade de Direito de Harvard e sua carreira jurídica. Sem nunca ter sido juíza, Elena nunca proferiu uma sentença. Sua candidatura à magistratura foi rejeitada pelo Senado em 1999.

Os republicanos do Senado, no entanto, estão mais interessados em obter informações da época em que ela era assessora na Casa Branca, durante a presidência de Bill Clinton.

"A candidata apresenta certo número de elementos controvertidos em seu passado", afirmou em 22 de junho o líder republicano da comissão jurídica do Senado, Jeff Sessions, lamentando as posições de "esquerda" da indicada.

Os republicanos relembram o fato de que ela, no passado, rejeitou a entrada no campus de Harvard de militares que vieram realizar atividades de recrutamento, prática tradicional da prestigiosa universidade. Mas, segundo seus defensores, o alistamento poderia ser realizado via organizações estudantis.

Na sexta-feira, o senador pelo Texas, John Cornyn, afirmou que no passado Kagan posicionou-se contra o direito de portar armas , inscrito na segunda emenda da Constituição.

Outros do espectro político mais à esquerda, como o Centro pelos Direitos Constitucionais que defendem os detentos de Guantánamo , criticam seu posicionamento muito favorável ao reforço dos poderes presidenciais, em particular sobre as questões de terrorismo.

O presidente Obama encorajou no domingo, em Toronto, onde participou da cúpula do G20, os senadores a fazerem "perguntas difíceis" a Elena.

Depois da sabatina, a comissão do Senado deverá se pronunciar sobre sua nomeação, que ainda deve ser aprovada no plenário, provavelmente antes do fim de julho ou início de agosto. Durante os últimos 40 anos, um quarto dos candidatos foi rejeitado.

*Com New York Times e AFP

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