Por Bappa Majumdar NOVA DÉLHI (Reuters) - O governo indiano vai tentar passar nesta quinta-feira uma nova lei no Parlamento que permitirá à polícia prender suspeitos por até 180 dias, uma medida vista como uma tentativa de acalmar a opinião pública após os ataques em Mumbai.

Mas o governo, liderado pelo Partido do Congresso e que se vê diante de uma eleição em maio, pode enfrentar problemas por ter apresentado o projeto com um texto parecido ao de uma lei antiga que ele mesmo condenou anteriormente.

A lei foi proposta em meio à revolta geral, ainda pouco contida, com os ataques do mês passado em Mumbai. O atentado matou 179 pessoas e expôs as falhas na rede de inteligência e segurança da Índia, que causaram a renúncia do ministro de Segurança.

A Câmara baixa do Parlamento indiano aprovou unanimemente dois projetos de lei na quarta-feira. Um deles permite que a polícia mantenha suspeitos detidos por até 180 dias sem acusações, e o outro cria uma agência nacional de segurança semelhante ao FBI, dos Estados Unidos.

As duas leis precisam da aprovação dos membros da Câmara alta do Parlamento nesta quinta-feira, mas parlamentares disseram que o voto, aparentemente, será apenas uma formalidade.

Especialistas dizem que os principais partidos da Índia ignoram a preocupação de que a lei possa ter efeitos adversos com a ausência de um órgão independente de supervisão que monitore a nova força policial.

Segundo eles, a Lei de (Prevenção de) Atividades Ilegais, semelhante à lei antiterror revogada pelo governo atual quando chegou ao poder em 2004, pode abrir a porta para violações sérias dos direitos humanos, além de abrir a porta para abusos de políticos.

"O que temos aqui é um vinho velho em uma garrafa nova. Eles trouxeram de novo a lei antiga, sem resolver a preocupação do povo", disse à Reuters o renomado advogado indiano Colin Gonsalves.

"Depois dos ataques de Mumbai, as pessoas querem que a polícia proteja o povo, e não os políticos. A exigência delas era por profissionalismo da força policial, acabando com a tortura e a corrupção", afirmou.

A Índia culpa o grupo paquistanês Lashkar-e-Taiba pelos ataques de Mumbai, e quer que Islamabad faça mais para combater os militantes em seu próprio território. Mas especialistas dizem que isso não é suficiente, e que a Índia precisa encontrar um jeito de evitar os ataques, em vez de apenas reagir a eles.

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