Índia reitera seu compromisso sobre testes nucleares

Nova Délhi, 5 set (EFE).- O Governo indiano reafirmou hoje seu compromisso em manter uma suspensão de provas atômicas, em declaração que coincide com a reunião do Grupo de Fornecedores Nucleares (NSG) em Viena para decidir se acaba com suas restrições ao comércio com a Índia.

EFE |

"Seguimos comprometidos com uma suspensão voluntária, unilateral de testes nucleares. Não assinamos corrida armamentista alguma, nem uma corrida de armas nucleares", disse o chanceler indiano, Pranab Mukherjee, na declaração.

A Índia "tem um longo e firme compromisso com a eliminação total, não discriminatória e universal das armas nucleares", assegurou o ministro, segundo o comunicado oficial.

A Índia possui bomba atômica, como seu vizinho e inimigo Paquistão, mas se recusa assinar o Tratado de Não-Proliferação (TNP) e o de Proibição dos Testes Nucleares.

O país assinou, em julho de 2007, um pacto de cooperação nuclear civil com os Estados Unidos para uma dispensa dos 45 países-membros do NSG que abriria as portas do mercado de combustível e de componentes atômicos para a Índia. No entanto, o acordo ainda está pendente.

Em plena reunião do NSG em Viena, que começou nesta quinta-feira, Mukherjee defendeu que a Índia dispõe de um controle de exportações de material nuclear conforme as normas do grupo de fornecedores.

"A Índia não será fonte de proliferação de tecnologias sensíveis, incluindo as transferências para enriquecimento e reprocessamento de combustível", disse.

No acordo com os EUA, a Índia ressalta a esperança de sair do "isolamento nuclear" que lhe foi imposto quando começou a desenvolver a bomba atômica, a fim de poder aumentar seus recursos energéticos e manter o crescimento econômico.

Segundo Mukherjee, a iniciativa nuclear civil indiana "fortalecerá o regime internacional de não-proliferação" e terá "um impacto positivo profundo na segurança energética mundial e nos esforços internacionais no combate à mudança climática".

Alguns membros do NSG expressaram suas ressalvas à abertura do comércio nuclear com a Índia, pois temem que dificulte o regime de não-proliferação e empurre o Paquistão para uma corrida armamentista.

O acordo com os EUA causou grandes problemas internos ao primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, cuja renúncia voltou a ser exigida nesta quinta pela oposição.

O TNP permite que apenas cinco países (EUA, França, Reino Unido, China e Rússia) disponham de armas nucleares, e proíbe a transferência de tecnologia atômica militar a outros países.

John Rood, chefe da delegação americana, assinalou à imprensa em Viena que na primeira sessão de hoje "se viveu um ambiente positivo", e destacou que os EUA "seguem otimistas por poderem conseguir um acordo" sobre o levantamento das restrições.

Além disso, classificou o comunicado indiano de "muito significativo" e afirmou que o documento foi "elogiado" pelos membros do NSG. EFE ja/fh/rr

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