Índia pede sistema comercial justo e conclusão da Rodade de Doha

Marta Berard. Nova Délhi, 3 set (EFE).- A Índia, além de defender a criação de um sistema de comércio internacional justo e igualitário, pediu hoje aos membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) que concluam o mais rápido possível as negociações da Rodada de Doha, que tem como fim a liberalização do comércio mundial.

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"O fortalecimento de um sistema de comércio multilateral mediante a finalização o mais rápido possível da Rodada de Doha é vital e imperativo", declarou o ministro indiano de Comércio e Indústria, Anand Sharma.

Na abertura de uma reunião de ministros da OMC, marcada pela expressiva presença de latino-americanos, Sharma afirmou que é preciso ter "consciência da importância da inclusão e da transparência" durante as negociações.

Segundo um comunicado oficial, para o Governo indiano, esses elementos são "fatores-chave para o êxito de qualquer estratégia com vistas ao término da Rodada de Doha".

Sharma afirmou ainda que a participação dos ministros de Comércio e Assuntos Exteriores de 35 países, de representantes da União Europeia (UE) e do diretor da OMC, Pascal Lamy, na conferência de Délhi "testemunham" o compromisso dos membros da organização com o êxito da Rodada de Doha.

Ele acrescentou que a reunião de dois dias, realizada a portas fechadas, também demonstra "a confiança na força do sistema de comércio transparente, democrático, baseado em regras e multilateral que a OMC representa".

De acordo com o ministro, é necessário trabalhar conjuntamente para que, nos próximos meses, se chegue a um "Mapa de Caminho com um claro compromisso multilateral" visando à conclusão da Rodada de Doha em 2010.

O representante do Governo indiano também admitiu que a reunião de Délhi não é o fórum mais adequado para as negociações da OMC, que devem acontecer na sede da organização, em Genebra. Porém, comentou que o encontro pode buscar a "melhor maneira de as conversas multilaterais serem reavivadas" de forma a permitir a "rápida conclusão" do processo para a liberalização do comércio mundial.

O ministro lembrou que o desenvolvimento é o "alicerce" da Rodada de Doha e que esta "deve corrigir as distorções históricas e abordar os erros estruturais do sistema de comércio global, dando resposta às preocupações e às aspirações legítimas dos pobres no mundo em desenvolvimento".

Na sessão inaugural, também discursaram a comissária de Comércio da UE, Catherine Ashton, e o diretor da OMC, que horas antes do início do encontro disse, numa reunião com empresários indianos, que a Rodada de Doha continua sendo "o meio mais eficaz para o alcance" da liberalização do comércio internacional.

Numa conferência organizada pela Federação das Câmaras Indianas de Comércio e Indústria, Lamy criticou as medidas protecionistas adotadas por alguns países em resposta à crise financeira global.

"Vimos um aumento das medidas comerciais restritivas desde o início da crise financeira", disse. "Alguns países aumentaram suas tarifas, adotaram novas medidas não tarifárias e aplicaram mais ações antidumping".

"Embora a situação não seja alarmante, precisamos estar atentos e nos certificar de que os membros da OMC continuam abertos uns aos outros", destacou.

A reunião, que termina amanhã, conta com a presença de representação de países como Brasil, Argentina, Equador, Chile, México, Cuba e Venezuela.

Antes do início das reuniões, em declarações à Agência Efe, o ministro de Assuntos Exteriores do Equador, Fander Falconi, pediu aos países industrializados uma "cooperação efetiva" que possibilite tanto a inclusão de novos atores no cenário internacional como a conclusão da Rodada de Doha.

"A partir do momento em que falamos de uma rodada de desenvolvimento, falamos de mudanças institucionais, da geração de novos atores que não estão intervindo nos mercados", disse Falconí.

EFE mb/sc

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