A Índia acusou formalmente alguns elementos no Paquistão de estarem por trás dos ataques em Mumbai, que deixaram pelo menos 172 mortos e exigiu de Islamabad ações enérgicas, anunciou o ministério das Relações Exteriores nesta segunda-feira.

"O Alto Comissariado do Paquistão foi convocado pelo ministério indiano das Relações Exteriores nesta tarde e foi informado de que os recentes atentados em Mumbai foram executados por elementos provenientes do Paquistão", anunciou um comunicado da chancelaria.

Terroristas "sem piedade"

Os dez terroristas que executaram os atentados de Mumbai são descritos como jovens ousados, disciplinados e implacáveis, segundo a imagem que está sendo formada a partir das informações da investigação oficial, em contraste com a incompetência dos serviços de segurança indianos.

O comandante da unidade que acabou com as 60 horas de enfrentamentos acredita que os extremistas islâmicos nunca tiveram a intenção de manter os reféns com vida.

"Em nenhum momento recebemos pedidos por parte dos terroristas", declarou J.K. Dutt, chefe da Guarda de Segurança Nacional.

Todos os assassinatos cometidos dentro dos hotéis Taj Mahal e Oberoi foram executados antes que os oficiais do Exército invadissem os locais.

Os reféns retidos em um centro cultural judaico de Mumbai também morreram nas mãos dos captores, segundo as autoridades indianas. Os ataques mataram pelo menos 172 pessoas, incluindo 30 estrangeiros, segundo o último balanço oficial.

Os gerentes dos dois hotéis afirmaram que nenhum aspecto dos atentados foi deixado ao acaso.

"Eles sabiam o que faziam, não chegaram pela frente, onde estavam todos os nossos dispositivos de segurança", explicou Ratan Tata, proprietário do Taj Mahal ao canal de televisão CNN.


Soldado indiano observa destruição após ataque em estação de trem / Reuters

Uma parte do grupo se infiltrou em Mumbai há um mês para realizar "missões de reconhecimento" disfarçados de estudantes, segundo fontes ligadas à investigação.

Outros teriam, inclusive, se hospedado em um dos hotéis, ou até mesmo nos dois, atacados e teriam colocado armas nos locais, segundo a imprensa.

O único sobrevivente identificado, Ajmal Amir Kamal, 21 anos, capturado e interrogado pelas forças de segurança, declarou que os demais terroristas chegaram à cidade em botes infláveis, procedentes de um barco capturado depois que mataram a tripulação, também de acordo com a imprensa.

Os relatos e as imagens dos atentados mostram ainda o sangue frio dos terroristas, que aparecem tranqüilos, seguros e concentrados nas gravações das câmeras de segurança.

Em comparação com a eficácia dos atentados, o aparelho de segurança indiano reagiu com lentidão e ineficácia. Autoridades da inteligência e da Defesa de Israel criticaram a atuação das forças oficiais indianas na tomada de reféns no centro cultural judaico.

O ministro indiano do Interior renunciou e outras autoridades pediram demissão.

A imprensa do país informou que entre o início dos ataques e a chegada das forças especiais da Guarda de Segurança Nacional passaram praticamente 10 horas, incluindo quase 180 minutos para deslocar até Nova Délhi o único avião capaz de transportar a Mumbai os 200 homens necessários para a operação.

"A chegada tardia permitiu que os terroristas se instalassem em suas posições", explica à AFP o general da reserva Afsir Karim, ex-comandante de um regimento de pára-quedistas, que lamentou o fato das forças especiais só estarem presentes na capital.

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