Nova Délhi, 11 dez (EFE) - Em pleno debate devido aos atentados de Mumbai, a Índia pediu hoje ao Paquistão para chegar à conclusão lógica de ilegalizar as organizações terroristas que operam em seu território e destruir completamente a infra-estrutura dessas. O que estamos dizendo ao Governo do Paquistão é que atue. Uma mera expressão de determinação não é suficiente, disse hoje o ministro de Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, em comparecimento no Parlamento voltado ao recente atentado em Mumbai.

Após descartar a guerra como solução, o ministro defendeu a implementação de uma campanha internacional contra o terrorismo em vez de enfatizar a relação bilateral com o Paquistão e o conflito que os dois países mantêm pela Caxemira.

Mas, ao mesmo tempo, Mukherjee fez duras declarações ao Governo paquistanês, a quem pediu "passos positivos" e também que extradite "40 pessoas" acusadas de diferentes atividades criminais e terroristas na Índia.

"Demos (às autoridades paquistanesas) esses nomes em cada reunião de secretários de Interior e de Exteriores. Demos esses nomes nos quatro encontros do mecanismo conjunto antiterrorista", disse o ministro.

A Índia acusa o grupo separatista caxemiriano Lashkar-e-Toiba pelos atentados de Mumbai. A rede opera a partir do Paquistão, país que já deteve cerca de 20 militantes da organização, mas que se nega a entregá-los à Índia.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, negou a participação do país nos atentados, como chegou a sugerir a imprensa indiana, e culpou dos ataques "elementos não estatais", o que foi criticado por Mukherjee.

"Caíram do céu os atores não estatais? Vieram de outro planeta? Os atores não estatais operavam a partir do território de um país", acusou o ministro, que apontou o Paquistão como o "epicentro" de ataques sofridos "por vários países".

No Parlamento também discursou o novo ministro do Interior, Palaniappan Chidambaram, que anunciou a adoção de uma série de medidas para reforçar a segurança, entre elas a criação de uma Agência Nacional de Investigação e o aumento da vigilância litorânea.

Segundo Chidambaram, o Governo proporá também várias leis para "fortalecer as provisões legais relacionadas com a prevenção, a investigação, a perseguição e a punição dos atos terroristas".

Outras das normas propostas são uma Lei contra a Lavagem de Dinheiro, o rápido preenchimento de vagas nas agências de espionagem e uma reforma da força antiterrorista para situá-la em vários núcleos regionais (agora estão em um só quartel em Délhi).

O Governo quer também situar 20 escolas de formação para as forças de segurança em técnicas contra a insurgência e o terrorismo.

"Em minha opinião, o sul da Ásia está no olho do furacão do terror", disse em seu comparecimento Chidambaram, que mencionou o "território paquistanês" como o local ao qual aponta "o dedo da investigação".

O Governo, assegurou, adotará "as medidas mais contundentes possíveis para garantir a segurança da nação (...). Dada a natureza da ameaça, não podemos voltar à rotina como se nada tivesse acontecido".

O ministro reconheceu que houve "lacunas" nos serviços de inteligência, já "identificadas" e referidas à necessidade de compartilhar melhor e atuar em função da informação da espionagem.

Durante a sessão parlamentar, os ministros contribuíram para criar confusão sobre o número de vítimas mortais durante o ataque terrorista contra Mumbai: Chidambaram falou de 164 e Mukherjee, de 179.

Em referência aos 26 estrangeiros mortos, procedentes de 13 países, Mukherjee se desculpou perante a comunidade internacional por não ter conseguido protegê-los e agradeceu o apoio recebido e as mostras de solidariedade de outros países. EFE daa/db

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