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Índia orgulhosa do triunfo de Slumdog Millionaire apesar das críticas

A Índia celebra nesta segunda-feira o êxito de Quem quer ser um milionário?, o filme ambientado no subúrbio de Mumbai, premiado no domingo com oito Oscar, incluindo o de melhor longa-metrage, apesar de algumas críticas no país de que a obra explora a miséria.

AFP |

"Fez toda a Índia orgulhosa", afirma o primeiro-ministro Manmohan Singh, em uma mensagem de felicitações a "toda a equipo de Slumdog Millionaire" (título original).

Além do Oscar de melhor filme, o longa-metragem faturou outras sete estatuetas, incluindo a de melhor diretor para o britânico Danny Boyle.

Também levou os Oscar de roteiro adaptado, fotografia, montagem e mixagem de som. Além disso, o compositor indiano A.R. Rahman saiu da festa com duas estatuetas, por trilha sonora e cannção original.

Ao receber um dos prêmios, A.R. Rahman, chamado na Índia de "Mozart de Madras", o terceiro indiano a levar um Oscar, saudou "toda a população de Mumbai e a essência do filme, que fala do otimismo e "da força da esperança em nossas vidas".

Christian Colson, produtor do longa-metragem rodado com um orçamento de 15 milhões de dólares e que já faturou US$ 160 milhões nas bilheterias de todo o planeta, falou da "viagem extraordinária" do filme, antes de homenagear a "extraordinária cidade de Mumbai".

No entanto, o filme também provocou críticas na Índia, onde muitas pessoas opinaram que explora em demasia a miséira. No subcontinente indiano, orgulhoso de seu colossal crescimento econômico nos últimos anos, muitos não gostaram do que passou a ser chamado de "pornografia da pobreza", em um país no qual 455 milhões de pessoas sobrevivem com menos de 1,25 dólar por dia.

Nesta segunda-feira, na favela de Dharavi, a maior da Índia, onde o filme foi rodado, um imenso cartaz dizia em hindi "Não somos cachorros das favelas", em referência ao título original.

O filme não agrada nem mesmo aos pobres do país, onde o título nacional foi traduzido para "O cão das favelas".

"Este filme devia ser considerado um dos maiores fantasmas gratuitos imaginados sobre a Índia no século XXI", afirmou o cineasta K. Hariharan, em um artigo intitulado "Orientalismo para um mercado globalizado", publicado no jornal The Hindu.

"Para a maioria dos espectadores ocidentais, arrasados pelo peso da crise econômica mundial, este conto de fadas sobre o lado mais sórdido da Índia deve servir de catarse orgiástica", protestou semana passada.

str-kv/fp

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