Julia R. Arévalo Nova Délhi, 12 ago (EFE).

- Pelo menos 12 pessoas morreram hoje em um novo dia de protestos na Caxemira, onde uma onda de violência que já dura duas semanas matou 30 pessoas e levou o Governo indiano a impor toque de recolher em toda a região pela primeira vez em 13 anos.

Desafiando o toque de recolher, pelo menos 20 mil pessoas se somaram a três passeatas de líderes muçulmanos da região em direção à mesquita de Srinagar para participarem do funeral de um de seus dirigentes, morto nesta segunda-feira por forças da ordem.

Os dirigentes fizeram caso omisso da ordem de prisão domiciliar imposta na segunda-feira pelo Governo, enquanto as forças de segurança não conseguiam conter as multidões em várias localidades de todo o vale da Caxemira.

Fontes policiais citadas pelas agências "PTI" e "Ians" informaram sobre dez vítimas fatais e 70 feridos nas ações dos agentes contra manifestantes tanto na capital, Srinagar, e seus arredores, como nas cidades de Bandipora e Nagabas.

A violência se estendeu a Jammu, onde se concentra a minoria hindu da Caxemira.

Duas pessoas morreram e pelo menos 20 ficaram feridas na intervenção das forças da ordem para conter enfrentamentos entre muçulmanos e hindus na localidade de Kishtwar, em Jammu, onde o Exército precisou chamar reforços.

"A situação estava fugindo ao controle, e a Polícia teve que abrir fogo", explicou uma fonte oficial à "Ians".

O porta-voz do Exército indiano, Anil Mathur, também informou que os soldados atiraram em legítima defesa em Bandipora, pois os manifestantes tinham invadido um quartel, segundo a "PTI".

Muçulmanos e hindus têm protagonizado os protestos que começaram em junho após a expropriação de terrenos do comitê do Templo de Amarnath para acomodar os milhares de peregrinos que irão, no dia 16 de agosto, ao santuário hindu, situado a 3.888 metros de altitude.

A concessão gerou distúrbios de muçulmanos, que são maioria na Caxemira, e fez as autoridades revogarem sua decisão no início de julho.

Desta vez, os ânimos da população hindu da Caxemira, que se concentra ao redor de Jammu, levaram a região a uma situação de caos, toques de recolher, interrupção de provisões de alimentos e remédios e isolamento com o resto do país.

Após semanas de bloqueio da região, os comerciantes de frutas, apoiados pelos dois principais partidos separatistas da região, fizeram na segunda-feira uma passeata em direção à fronteira com a Caxemira paquistanesa com a intenção de comercializar seus produtos fora do estado.

Seis pessoas morreram na segunda-feira atingidas por disparos de agentes contra os 30 mil manifestantes que tomaram a estrada de Srinagar em direção à capital da Caxemira paquistanesa, Muzaffarabad.

A morte do líder separatista Sheikh Abdul Aziz, da Conferência Hurriyat, fez as autoridades temerem que a violência aumentasse hoje, e decidiram declarar o toque de recolher.

A Índia e o Paquistão disputam a Caxemira desde a independência e a partilha dos dois países, em 1947.

O Governo indiano se demonstrou incapaz de conter a onda de violência na região em uma semana chave em que os dois países comemoram suas independências, às vésperas da grande peregrinação hindu ao templo de Amarnath.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Índia classificou hoje de "interferências" as críticas paquistanesas contra a atuação das forças de segurança na Caxemira indiana.

Em comunicado, um porta-voz do ministério destacou que o Executivo da Índia e o Governo da Caxemira indiana "estão dando todos os passos necessários para restabelecer a lei e a ordem nesta parte do país".

Já o ministro de Assuntos Exteriores do Paquistão, Mahmoud Qureshi, censurou hoje em comunicado o "excessivo uso da força" aplicada pelas forças de segurança indianas contra manifestantes muçulmanos na Caxemira.

Qureshi também expressou suas condolências pelo "martírio" de Sheikh Abdul Aziz.

O chanceler paquistanês "pediu o fim imediato da violência" na região, segundo a nota.

O ministro do Interior indiano, Shivraj Patil, que viajou à Caxemira no final de semana, convocou hoje uma nova reunião com representantes de todos os partidos políticos, à qual não compareceram alguns interlocutores locais.

De fato, o Shri Amarnath Sangarsh Samiti, que reúne 30 grupos hindus, convocou novas manifestações para amanhã para reivindicar seus direitos e comemorar a independência da Índia.

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, também convocou para esta quarta-feira uma grande reunião com líderes de todos os partidos políticos, semelhante à realizada na semana passada. EFE ja/wr/db

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