Índia fecha longo processo de votação e espera paciente resultado

Diego A. Agúndez.

EFE |

Nova Délhi, 13 mai (EFE).- Centenas de milhões de indianos começaram hoje uma paciente espera para conhecer os resultados das eleições, que devem sair no próximo sábado, após a conclusão hoje da quinta e última fase da votação.

Os últimos colégios eleitorais fecharam suas portas às 17h (8h30, Brasília) nos nove estados e territórios que votavam hoje e nos quais se pôs fim a um processo que tinha começado em 16 de abril.

Estavam convocados às urnas 107,8 milhões de indianos dos estados de Himachal, Uttarakhand, Caxemira, Punjab e Uttar, todos no norte do país, Bengala, no leste, e Tamil Nadu no sul, assim como nos territórios de Chandigarh (norte) e Pondicherry (sul).

Os últimos eleitores, parte de um eleitorado composto por 714 milhões de pessoas, escolhiam 86 dos ocupantes das 543 cadeiras do Parlamento, de onde sairá o novo Governo.

Segundo o chefe da Comissão Eleitoral, Navin Chawla, 428 milhões dos 714 milhões de indianos convocados votaram, o que representa uma participação de entre 59% e 60%.

Das cadeiras, 39 eram disputadas em Tamil Nadu, onde a campanha foi marcada pela guerra no vizinho Sri Lanka, pois o Exército lançou uma ofensiva final contra a guerrilha tâmil que causou milhares de mortes e deixou centenas de milhares de deslocados entre a população, da mesma etnia que a do estado sulista indiano.

Tamil Nadu é dominada por dois partidos regionalistas, o DMK e o AIADMK, cujos líderes se acusaram mutuamente de não fazer o suficiente pelo povo do país vizinho e chegaram a fazer jejum em campanha para demonstrar sua solidariedade às vítimas do conflito.

Durante a votação em Tamil Nadu, 13 pessoas ficaram feridas em diferentes enfrentamentos, e um militante do DMK morreu na cidade de Dindigul, vítima de uma disputa com membros do partido rival, como informou a agência de notícias "Ians".

As vítimas se juntam aos pelo menos 26 mortos desde que começou a votação, a maioria em ações da guerrilha maoísta em estados onde as eleições foram boicotadas.

Entre os candidatos que hoje disputavam vaga no Parlamento se destaca o polêmico Varun Gandhi, neto da ex-primeira-ministra Indira Gandhi, que se tornou protagonista da campanha por um discurso de claros traços antimuçulmanos.

Varun, de 29 anos, não se apresentou pelo Partido do Congresso da dinastia familiar, mas pelo opositor hinduísta Bharatiya Janata Party (BJP), e o fez no distrito de Philibit (Uttar), onde protagonizou hoje outra polêmica ao acusar mesários de favorecer um candidato rival.

Ao término das votações, os principais partidos reconheceram sua incapacidade em conseguir maiorias absolutas e já começaram a busca por possíveis alianças de Governo.

"Acredito que se formará um Governo liderado pelo BJP. Obteremos novos parceiros" após as eleições, disse à "Ians" o presidente dessa legenda, Rajnath Singh.

Dias atrás, o primeiro-ministro e candidato do governante Partido do Congresso, Manmohan Singh, não descartou alianças com nenhum partido e qualificou a política como "a arte do possível".

A incerteza perante o resultado levou muitos analistas a encarar as eleições como "semifinais", que antecederiam a "final", que para eles serão as negociações para formação de Governo.

O Parlamento que está para ser trocado estava dominado pela Aliança Unida Progressista (UPA), uma coalizão de dez partidos liderada pelo Congresso e com apoio externo e sucessivo de várias forças, entre elas os poderosos comunistas.

Porém, agora os comunistas buscam uma terceira frente formada também por partidos regionais, que se ofereceu como alternativa ao Congresso e ao BJP.

A Comissão Eleitoral fará a apuração dos votos no próximo sábado e espera anunciar os resultados nesse mesmo dia, como disse à Agência Efe o comissário eleitoral S.E. Qureshi.

O vencedor terá que enfrentar os crescentes efeitos sobre a Índia da crise econômica internacional, o terrorismo, a luta contra diferentes movimentos armados e a renovada tensão com o vizinha Paquistão.

Embora repleta de cor, lembranças e intensos comícios, a campanha careceu de propostas para o futuro, além das genéricas promessas de desenvolvimento, e foi marcada, sobretudo, por debates regionais de pouca real importância para o conjunto do país. EFE daa/rr

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