Índia elogia investigação do Paquistão sobre ataques em Mumbai

NOVA DÉLHI - A Índia elogiou na sexta-feira o Paquistão por ter admitido que os atentados de novembro em Mumbai foram parcialmente tramados em seu território, num sinal de possível reaproximação entre os dois vizinhos nucleares.

Reuters |


Na quinta-feira, o Paquistão disse pela primeira vez que os ataques, que mataram 179 pessoas, haviam sido lançados e parcialmente planejados no país. A declaração coincidiu com a visita à região do enviado especial do governo norte-americano para o Afeganistão e o Paquistão, Richard Holbrooke.

Analistas dizem que a admissão pode ser um sinal de reação à pressão do governo de Barack Obama, que se baseia em vincular a ajuda ao país a progressos no combate à militância islâmica.

"Trata-se de um passo positivo. Esperamos que essa questão seja levada à sua conclusão lógica, onde os perpetradores sejam penalizados", disse o chanceler indiano, Pranab Mukherjee, a jornalistas.

Entretanto, ele disse ao Parlamento que a reação do Paquistão aos ataques se caracterizou por "prevaricação, negação, táticas diversionistas e um senso deslocado de vitimização". Acrescentou que Islamabad deveria desmantelar toda a infraestrutura de militantes em seu território.

"Não desmereço de forma alguma sua intenção ou sua sinceridade, mas persiste o fato de que a esmagadora resposta do Paquistão oficial ao ataque de Mumbai não foi apropriada para um ataque terrorista onde inocentes foram massacrados a sangue frio."

O Paquistão disse que a declaração de Muherjee vai contra uma abordagem séria que é necessária para esclarecer os fatos. Em nota, a chancelaria disse esperar que "a Índia esclareça as múltiplas facetas da tragédia de Mumbai".

Analistas disseram que a declaração de quinta-feira do Paquistão atenuou grande parte da ira indiana, e que agora pode haver vários meses de idas e vindas entre os dois países a respeito da investigação.

"Isso será o começo do 'mea culpa' dentro do 'establishment' paquistanês sobre os atos terroristas sendo dirigidos pela Índia?", disse o analista estratégico Uday Bhaskar.

A redução das tensões pode ser útil para o Partido do Congresso, da Índia, com vistas à eleição parlamentar de maio. Analistas dizem, porém, que poucos avanços reais devem acontecer até que um novo governo seja eleito.

"Se o Paquistão vai fazer um gesto para a Índia, o fará com o novo governo indiano, e não com um governo ao qual restam poucos meses no cargo", disse à Reuters o colunista político Amitabh Mattoo.

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