Índia e Paquistão retomam diálogo suspenso em 2008

Nova Délhi, 25 fev (EFE).- A Índia e o Paquistão retomaram hoje o diálogo diplomático suspenso após o atentado de Mumbai no final de 2008, com uma reunião na qual concordaram apenas em manter contato e se esforçarem para restaurar a confiança perdida.

EFE |

A reunião dos secretários - entre os "números três" dos ministérios de Exteriores dos dois países - foi encorajada pelos Estados Unidos, como disse ontem perante o Senado americano a secretária de Estado, Hillary Clinton.

A Índia evitou a todo custo qualquer mediação dos EUA em sua complexa relação com o Paquistão. Ainda assim, a reunião ocorreu após uma primeira visita a Délhi do enviado americano para a região, Richard Holbrooke, que sugeriu o encontro de hoje.

Para a secretária indiana, Nirupama Rao, sua reunião com o paquistanês Salman Bashir foi um "primeiro passo" para "reconstruir a confiança" perdida após o atentado de Mumbai, que causou a morte de 166 pessoas em novembro de 2008 e uma comoção nacional.

Rao mencionou em entrevista coletiva o "grande déficit de confiança" existente hoje entre os dois países, potências nucleares do sul da Ásia, que em 2004 entraram em processo de diálogo "integral" para abordar os litígios surgidos com a independência de ambos em 1947.

Um dos principais temas do diálogo bilateral é a região da Caxemira, de maioria muçulmana, disputada pelos dois países desde que foi dividida entre eles.

"O Paquistão quer retomar o diálogo integral. Não discutimos as conquistas e relevância desse diálogo, mas o tempo não está ainda maduro para retomá-lo", asseverou Rao.

A diplomata indiana admitiu que o Paquistão avançou no combate aos terroristas que atentaram em Mumbai, mas não chegou "longe o suficiente para entender toda a trama do ataque e punir os culpados".

A Índia processou várias pessoas pelo ataque, a maioria delas paquistanesas, membros do grupo separatista caxemiriano Lashkar-e-Taiba. No entanto, apenas três deles estão detidos e enfrentam julgamento. Já o Paquistão processou sete pessoas e, mais recentemente, os EUA detiveram um americano de origem paquistanesa.

A Índia parece confiar que o processo de um suposto responsável do ataque a Mumbai nos EUA acrescentará pressão americana sobre o Paquistão, o que motivou o apoio americano ao diálogo entre os dois países asiáticos.

Rao disse que tinha pedido a Bashir "seguir as pistas que apareceram" após a detenção nos EUA. No entanto, o secretário paquistanês, que falou em entrevista coletiva separadamente, se limitou a observar que se trata de um "cidadão americano".

A secretária indiana também pediu ao Paquistão que "investigue" certas organizações terroristas que reivindicaram a autoria do mais recente atentado na Índia, que causou 12 mortos no último dia 13 em Pune (oeste). Contudo, a diplomata evitou responsabilizar diretamente o país vizinho pelo ataque.

Rao concluiu afirmando que o diálogo bilateral tem que ocorrer em uma contexto "livre de terror". "Se temos de construir o diálogo sobre as discussões passadas, no momento apropriado, a confiança entre nós deve ser restaurada", abundou.

Bashir, por sua vez, assegurou que seu país fez "tudo o que podia" contra os supostos responsáveis do ataque a Mumbai, mas considerou "injusto, irrealista e contraproducente" que um único atentado "paralise toda a relação" bilateral.

O enviado paquistanês expressou seu otimismo ao dizer que "o diálogo integral reviverá", mas acrescentou que o Paquistão "não está desesperado".

"Se a Índia decidir que quer mais tempo para decidir a forma das negociações, estaremos aí", assegurou.

O certo é que o chamado "processo de paz" entre Índia e Paquistão foi afetado por outros atentados anteriores, como o de julho de 2006 em Mumbai (com 185 mortos), que não impediu novos contatos de secretários, como o de novembro seguinte ou o de fevereiro de 2007.

Os últimos contatos relevantes do diálogo "integral" acabaram na fase final da Presidência de Pervez Musharraf no Paquistão, que dissuadiu a Índia de continuá-los, sem que seu sucessor, Asif Ali Zardari, tenha conseguido restaurar a confiança indiana.

Bashir reiterou que a "questão-chave" que separa os dois países continua sendo a Caxemira. Ele qualificou a região de "assunto internacional" que requer uma "solução pacífica", mas Rao se limitou a observar que neste e em outros litígios reiterou a seu colega "a posição nacional" indiana. EFE daa/sa

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