Índia e Paquistão abrem duas rotas comerciais na região da Caxemira

NOVA DÉLHI - A Índia e o Paquistão deram hoje um passo em frente em suas relações com a abertura de duas rotas comerciais na conflituosa região da Caxemira, disputada pelos dois países desde a independência de ambos, em 1947.

EFE |

Após mais de seis décadas fechada para o comércio, 13 caminhões indianos enfeitados com guirlandas e carregados de tapetes, maçãs, nozes, amêndoas, cogumelos pretos e artigos de papel machê cruzaram a Linha de Controle que separa ambos os países e divide a Caxemira em duas.

Reuters
Região é disputada por Índia e Paquistão
Apenas duas passagens foram autorizadas: a estrada que une as cidades de Muzaffarabad (Paquistão) e Srinagar (Índia), conhecida como rota do Jhelum, e a conexão entre Rawlakote (Paquistão) e Punch (Índia).

Na parte indiana, o governador regional, N.N. Vohra, deu o disparo inicial para a saída das mercadorias, em um ato presenciado por centenas de pessoas vestidas com suas melhores roupas, informou a agência indiana "Ians".

"O comércio será bom para todos. Será uma boa contribuição para as relações entre os dois países. Agora falta saber a que ponto chegará o negócio", disse à Agência Efe por telefone o presidente da Câmara de Comércio da Caxemira indiana, Mubeen Shah.

Abertura

A abertura da estrada foi decidida pelo presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, e pelo primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, durante uma reunião realizada no mês passado, em Nova York, após ser recomendada por uma comissão bilateral de alto nível. No entanto, o comércio está limitado a 21 produtos locais e submetido a permissões.

Além disso, os caminhões só poderão entrar 20 quilômetros no território do outro país, onde depositarão a carga em outros veículos que a levarão para seu destino.

As duas passagens já haviam sido abertas para a circulação de pessoas em 2005.

Com a decisão de abrir as rotas para o comércio, ambos os países respondem à reivindicação dos partidos nacionalistas da Caxemira, que haviam insistido na medida durante os distúrbios registrados este ano na parte indiana.

"Bem-vinda seja a abertura da rota. É um significativo primeiro passo. Mas o que desejamos é um acordo que enfrente de verdade o problema caxemiriano", disse à Efe por telefone o porta-voz da formação independentista Hurriyat, Abdul Ghani Butt.

Entre julho e agosto deste ano, aproximadamente 40 pessoas morreram na parte indiana em confrontos provocados pela polêmica possível cessão de terras públicas para um comitê encarregado das peregrinações ao templo hindu de Amarnath.

Os distúrbios entre hindus e muçulmanos causaram um bloqueio econômico na região, que os comerciantes tentaram romper com uma passeata de protesto rumo a Muzaffarabad, embora a Polícia tenha impedido o grupo de atravessar a fronteira e sete pessoas tenham morrido pelos disparos.

Cenário de violência e de várias guerras desde a independência, o território caxemiriano está dividido entre Índia (45%), Paquistão (35%) e China (20%).

A Índia e o Paquistão, ambos com poder nuclear, iniciaram um lento processo de aproximação desde que, em 1999, o conflito de Kargil fez o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton dizer que a Caxemira era o "lugar mais perigoso da terra".

Atualmente ainda são freqüentes os tiroteios entre os Exércitos na fronteira e também os choques com insurgentes armados dos grupos independentistas que agem na parte indiana.

Em seu território, a Índia enfrenta as reivindicações dos caxemirianos - única maioria muçulmana do país -, que poderão se manifestar nas eleições regionais previstas, em sete fases, para novembro e dezembro.

Embora as autoridades acreditem que essas eleições serão realizadas sem incidentes, o pleito será boicotado pela separatista Conferência Hurriyat, confirmou hoje seu porta-voz.

"As eleições não são a resposta. Não somos contra a democracia, mas queremos um reflexo real das aspirações do povo. Por isso, o Hurriyat não irá às eleições", disse Butt.

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