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Índia diz que pacto climático de Kyoto está na UTI

Por Krittivas Mukherjee COPENHAGUE, 16 de dezembro, 09h24 (Reuters) - O Protocolo de Kyoto, que obriga quase 40 países ricos a limitar suas emissões de carbono, se encontra na UTI, e as negociações globais para estender sua validade estão atoladas em um impasse, disse na quarta-feira o ministro do Meio Ambiente da Índia.

Reuters |

Mais de 190 países estão reunidos em Copenhague para acordar as linhas gerais de um novo pacto global para combater as mudanças climáticas, na esperança de fechar um tratado pleno em 2010 que suceda ao Protocolo de Kyoto.

Os países em desenvolvimento querem que os países ricos sejam legalmente obrigados a cumprir suas obrigações definidas no Protocolo de Kyoto e que subscrevam uma segunda rodada de compromissos mais rígidos a partir de 2013.

Mas Jairam Ramesh disse que muitos países desenvolvidos estão "se opondo com veemência" ao protocolo e que alguns querem assinar um novo acordo único pelo qual todos os países seriam legalmente obrigados a combater o aquecimento global.

"A impressão que temos é que Kyoto se encontra na UTI, se é que já não morreu", disse Ramesh a jornalistas.

O protocolo obriga quase 40 países industrializados a limitar suas emissões em pelo menos 5,2 por cento abaixo do nível de 1990 até 2008 e 2012. Ele não impõe limitações aos países mais pobres.

As negociações de um pacto para suceder a Kyoto estão morosas desde que começaram, dois anos atrás, em grande medida porque os países ricos querem fundir Kyoto em um acordo novo e único que tenha força de lei e que obrigue todos os países a combater as mudanças climáticas.

Os países industrializados querem um pacto único em grande medida porque os Estados Unidos, segundo maior emissor de carbono do mundo, nunca ratificou o tratado de Kyoto. Eles temem subscrever um novo Kyoto, que tenha força de lei, enquanto Washington poderá se safar com um regime menos rígido.

Ramesh disse que a ministra dinamarquesa do Meio Ambiente, Connie Hedegaard, anfitriã da conferência da ONU que está sendo realizada em Copenhague, lhe falou que é pouco provável que a conferência resulte em um segundo período de compromissos com o Protocolo de Kyoto.

"Ao tentarem abalar Kyoto, eles (os países ricos) estão tentando abalar um dos pilares básicos sobre o qual o mundo tinha decidido combater as mudanças climáticas", disse Ramesh.

As economias em desenvolvimento, como a Índia, já praticamente excluíram a possibilidade de um acordo legal único, dizendo que a proposta principal das negociações globais sobre as mudanças climáticas era acordar a extensão de Kyoto.

Os negociadores ainda não conseguiram concordar sobre estender Kyoto e acrescentar compromissos nacionais adicionais sob um pacto separado, ou pôr fim a Kyoto e acordar um tratado novo que especifique ações a serem adotadas pela maioria dos países.

Ramesh disse que os países em desenvolvimento não aceitam a rejeição de Kyoto e que isso seria "extremamente prejudicial a uma abordagem consensual".

"Isto certamente criaria problemas para as metas de ação de longo prazo", disse ele, acrescentando que as negociações sobre Kyoto ainda podem ser reativadas com a ajuda dos Estados Unidos.

"Kyoto precisa de vários cilindros de oxigênio. Um deles está na Casa Branca."

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