Índia detém centenas após prisão de ativista anticorrupção

Milhares saem às ruas para demonstrar apoio a Anna Hazare, preso por tentar iniciar uma greve de fome num parque de Nova Délhi

iG São Paulo |

A polícia da Índia deteve nesta terça-feira mais de 1,2 mil manifestantes que foram às ruas de Nova Délhi e de outras cidades para expressar apoio ao ativista anticorrupção Anna Hazare, 74 anos, preso horas antes.

Hazare pretendia começar nesta terça-feira uma greve de fome “até a morte” como forma de protesto por leis anticorrupção mais rígidas. Ele faria o jejum em um parque de Nova Délhi.

Na segunda-feira, a polícia proibiu a manifestação dizendo que os organizadores se recusaram a limitar o número de dias da greve de fome e quantos seriam os participantes.

Com essa justificativa, a polícia prendeu Hazare em sua casa em Nova Délhi. "Colocamos Hazare em prisão preventiva até a noite e depois decidiremos o que fazer com ele", afirmou o porta-voz da polícia, Rajan Bhagat. Ativistas ligados a Hazare disseram que ele começou a greve de fome na prisão, informação que não foi confirmada pela polícia.

Pouco depois, ativistas divulgaram um vídeo gravado por Hazare antes de sua prisão. “A segunda luta pela liberdade começou e agora fui preso”, disse o líder anticorrupção. “Mas esse movimento vai parar por causa da minha prisão? Não, de forma alguma. Não deixem isso acontecer.”

Em demonstração de apoio a Hazare, intensos protestos começaram nas ruas de Nova Délhi e de outras cidades indianas como Mumbai, Hyderabad e Kolkata. Milhares marcharam com cartazes que diziam “Revolução contra a corrupção” e “Eu sou Anna Hazare”.

De acordo com o ministro indiano do Interior, P. Chidambaram, entre 1,2 mil e 1,3 mil foram detidos por não respeitarem as ordens da polícia, que tinha estabelecido um limite máximo de 5 mil pessoas dentro do parque em Nova Délhi.

“Não estamos impedindo uma manifestação democrática e pacífica, mas em nenhum lugar do mundo os protestos são permitidos sem condições”, afirmou o ministro.

Hazare havia feito uma greve de fome de 98 horas em abril, encerrada depois de o Parlamento indiano ter aceitado a participação de membros da sociedade civil na elaboração de um projeto de lei anticorrupção. Por considerar o novo texto fraco, ele decidiu fazer a nova greve de fome.

Com AP e AFP

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