Índia descarta opção militar, mas pede ao Paquistão entrega de 20 terroristas

NOVA DÉLHI - O governo da Índia negou nesta terça-feira que estuda a opção militar na crise com o Paquistão por causa dos ataques terroristas em Mumbai, mas exigiu do país a entrega de cerca de 20 supostos responsáveis por atentados em solo indiano.

Redação com agências internacionais |

"Ninguém está falando em uma ação militar", disse o ministro de Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, aos jornalistas que cobrem um fórum entre Índia e países árabes que começou em Nova Délhi.

O ministro revelou que seu Executivo pediu ao Paquistão a extradição de cerca de 20 supostos terroristas , entre eles o chefe do Lashkar-e-Toiba, o grupo com base no Paquistão ao qual a Índia acusou pelo massacre desta semana em Mumbai.


Indiano observa o hotel Taj Mahal, atingido pelos ataques da última semana / AP

"Fizemos o pedido na segunda-feira. Estamos esperando uma resposta do Paquistão", disse Mukherjee, em alusão ao comparecimento no Ministério de Exteriores do chefe da delegação diplomática paquistanesa em Nova Délhi, Shahid Malik.

O governo indiano convocou ontem à noite Malik para entregar um protesto formal pelo envolvimento de "elementos do Paquistão" nos atentados em Mumbai.

Segundo um comunicado oficial, o governo indiano transmitiu ao embaixador sua exigência de que o Paquistão adote uma "ação contundente" contra esses responsáveis.

Mukherjee confirmou que seu governo pediu a entrega de vários "fugitivos sob as leis indianas que se assentaram no Paquistão".

Entre eles, estão o acusado de ser responsável pelos atentados de Mumbai em 1993, Dawood Ibrahim, e os líderes dos grupos caxemirianos Lashkar-e-Toiba (LeT), Mohammed Said; e Jaish-e-Mohamad (JeM), Massoud Azhar.

Investigação conjunta

Em Islamabad, o ministro de Exteriores paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, ofereceu hoje à Índia a criação de uma "comissão conjunta" para investigar os atentados em Mumbai.

Qureshi disse ter levado essa proposta a representantes diplomáticos em Islamabad, aos quais reiterou a intenção de seu governo de cooperar para "levar à Justiça os que cometeram esse atroz ato terrorista".

O grupo terrorista LeT foi indicado pelas autoridades indianas como responsável pelos ataques em Mumbai, depois da confissão do único terrorista capturado vivo pelas forças de segurança.


Soldado indiano observa destruição após ataque em estação de trem / Reuters

O indivíduo, um paquistanês da zona de Multan, admitiu que pertence ao LeT, segundo detalhes da investigação, que reúne também a apreensão de um telefone por satélite com números relacionados ao chefe de operações do grupo armado.

Os terroristas, de acordo com a investigação, chegaram a Mumbai por mar após sair da cidade portuária paquistanesa de Karachi e percorrer a costa ocidental indiana.

Os Estados Unidos, cujos serviços de inteligência alertaram em outubro sobre um possível ataque por via marítima contra Mumbai, segundo a imprensa de Washington, anunciou o envio de sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, amanhã a Nova Délhi, em uma aparente tentativa de conter a tensão entre a Índia e o Paquistão.

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