Índia corta taxa de juro; China considera desaceleração

Por Saikat Chatterjee MUMBAI, 1o (Reuters) - Duas grandes potências de mercado emergentes da Ásia demonstraram neste sábado que estão sentindo as consequências da crise financeira global. A Índia cortou sua principal taxa de juros para empréstimo de curto-prazo, e a China disse que está se preparando para um desaceleração.

Reuters |

Em Xangai, um executivo-sênior do Bank of China (BOC) disse em uma conferência financeira que o impacto da crise na China começou a aparecer.

A China vislumbrou uma forte declínio no crescimento do lucro industrial e receita fiscal, disse o vice-presidente-executivo Zhu Min em uma conferência financeira. A economia global deve entrar em recessão no ano que vem, com os Estados Unidos, a Europa e o Japão apresentando crescimento negativo, disse ele.

"Isso terá um impacto enorme na China", acrescentou.

Zhu também disse que espera-se que a volatilidade do câmbio acrescente pressões aos bancos da China, os quais tiveram lucros robustos por anos, à medida que o país crescia. O crescimento de lucros agora está desacelerando, enquanto a economia se esfria com o impacto da crise.

"As incertezas nos mercados de câmbio do mundo expuseram o setor bancário chinês a maior risco de ativos estrangeiros", disse Zhu.

AÇÃO NA LINHA DA LIQUIDEZ

A Índia -- assim como a China, um imã de investimentos estrangeiros nos últimos anos, à medida que sua economia decolava -- reduziu inesperadamente no sábado sua taxa de juros de curto prazo pela segunda vez em semanas, a fim de aliviar uma crescente falta de liquidez, apoiar o crescimento da sua economia e deter os efeitos da crise financeira global.

Analistas afirmaram que a surpreendente medida do banco central indiano, que acontece uma semana depois de deixar as taxas inalteradas durante revisão de sua política, demonstrava a preocupação de que os problemas da terceira maior economia da Ásia estavam se agravando.

O banco central indiano cortou sua principal taxa de juros de curto prazo em 50 pontos base, para 7,5 por cento.

"Aquelas ações eram necessárias e tiveram que ser tomadas para ter liquidez. E com as taxas altas a situação estava piorando", disse Vikas Agarwal, estrategista do JP Morgan.

"A única pergunta que surge neste momento é porque (a decisão) não foi tomada durante a revisão da política do banco na semana passada, e a única explicação é de que eles não anteciparam o alcance da crise de liquidez", complementou Agarwal.

Autoridades em finanças ao redor do mundo tem cortado as taxas de juros nas últimas semanas e injetado grandes volumes de recursos aos seus sistemas bancários, com objetivo de lutar contra os efeitos da crise financeira mundial que está causando a paralisação dos mercados de crédito e ameaça levar a economia mundial à recessão.

Analistas afirmaram que a medida inesperada significa que existe uma preocupação com o crescimento e temor de que a falta de liquidez piore os problemas de inflação.

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