Índia congela processo de paz com Paquistão após atentados de Mumbai

O ministro indiano das Relações Exteriores, Pranab Mujerjee, anunciou nesta terça-feira que seu país decidiu interromper o processo de paz com o Paquistão, retomado em 2004, em razão dos atentados islamitas de Mumbai, que deixaram 172 mortos em novembro.

AFP |

As tensões entre as duas potências nucleares do sul da Ásia voltaram a crescer depois dos violentos ataques contra Mumbai, capital financeira da Índia, entre os dias 26 e 29 de novembro. Entre as 172 vítimas fatais estão nove dos 10 terroristas.

"Admito que houve uma pausa no processo de 'diálogo conjunto' (com o Paquistão) por causa dos atentados de Mumbai", disse Mujerjee em Srinagar, principal cidade da parte indiana da Caxemira.

Nova Délhi, Washington e Londres atribuem a matança de Mumbai ao Lashkar-eTaiba (LeT), um dos movimentos armados fundamentalistas paquistaneses que dizem lutar contra a "ocupação" indiana da Caxemira e contra a suposta "perseguição" aos 150 milhões de muçulmanos na Índia.

Os indianos chegaram a definir o Paquistão como "epicentro do terrorismo" islâmico, e exige que o vizinho extradite cerca de 40 suspeitos de envolvimento nos atentados de Mumbai.

Desde a semana passada, Islamabad realizou uma série de prisões na área notoriamente ocupada pelo LeT, mas considera que os possíveis responsáveis devem ser julgados no Paquistão.

"Nossa expectativa, e o que informamos a Shah Mahmoo Qureshi (chanceler paquistanês), é que o Paquistão deve honrar seus compromissos de não permitir que seu território seja usado para lançar ataques terroristas contra a Índia", insistiu o chefe da diplomacia indiana.

Ao mesmo tempo, em Nova Délhi, o ministro da Defesa A.K. Antony afirmava que a Índia não tinha a intenção de atacar o Paquistão, mas pressionou Islamabad para que aumente a repressão contra os grupos muçulmanos fundamentalistas, indicando que uma atitude frouxa por parte do governo paquistanês poderia comprometer as relações bilaterais, que já são extremamente tensas.

Há três semanas, os Estados Unidos pressionam Índia e Paquistão - ambos, países aliados - para que suavizem as tensões.

Washington teme que uma escalada militar obrigue o Paquistão a negligenciar sua frente noroeste, onde o exército nacional enfrenta os talibãs paquistaneses e combatentes da Al-Qaeda escondidos nas zonas tribais fronteiriças com o Afeganistão.

A Índia, por sua vez, não deseja arriscar iniciar uma guerra convencional, que poderia complicar ainda mais a situação política, com o poder civil paquistanês desestabilizado pelo terrorismo islâmico e o peso do exército.

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