Nova Délhi, 23 dez (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, fez hoje uma chamada para não criar uma histeria bélica entre seu país e o Paquistão, as duas potências nucleares do sul da Ásia, e reiterou suas exigências a Islamabad para que atue contra os responsáveis do massacre terrorista em Mumbai.

"A questão não é criar uma histeria bélica, apontando com o dedo para os outros. A questão é que houve um sinistro e abjeto ataque terrorista em Mumbai de elementos (que atuam) no Paquistão", disse Mukherjee, em declarações à imprensa divulgadas pelos canais locais.

"A Índia pediu ao Paquistão que atue contra os que cometeram estes ataques" - que deixaram pelo menos 170 mortos, segundo a mais recente apuração oficial -, lembrou o ministro de Exteriores, que na segunda-feira deixou abertas "todas as opções" com o vizinho paquistanês, incluindo a militar.

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, expressou-se de forma semelhante e, na saída de uma conferência dos embaixadores na Índia, disse à imprensa que espera um "esforço objetivo" do Paquistão "para desmantelar a máquina do terror".

"A guerra não é a questão. A questão é o terror e o solo paquistanês que está sendo usado para provocar e para ajudar e apoiar o terrorismo. Acho que esta é a questão, não a guerra.

Ninguém quer a guerra", reiterou Singh, citado pela agência "PTI".

Também expressou seu desejo de que "a comunidade internacional use seu poder para persuadir o Paquistão" a agir contra os grupos que operam em seu território.

Momentos antes, durante seu discurso na conferência, o primeiro-ministro explicou que a Índia procura "a paz e a estabilidade" na região, apesar de a situação atual ser "preocupante".

"Atores não estatais praticaram o terrorismo ajudados ou apoiados por agentes estatais. Os ataques terroristas em Mumbai foram um ataque contra as ambições da Índia de emergir como potência econômica", disse Singh em seu discurso, divulgado em comunicado governamental.

A Índia acusou o grupo Lashkar-e-Toiba (LeT), que luta pela anexação da Caxemira ao Paquistão, pelos recentes ataques em Mumbai e afirmou que todos os terroristas eram paquistaneses.

No entanto, o secretário-geral da Interpol, Ronald K. Noble, reconheceu hoje, em Islamabad, que as autoridades indianas "não compartilharam nenhuma prova concreta" em relação aos ataques "que permita identificar os autores". EFE amp/an

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