Índia começa censo dos seus 1,2 bi de habitantes

Nina Tramullas. Nova Délhi, 2 abr (EFE).- Com uma população já estimada em quase 1,2 bilhão de pessoas, as autoridades da Índia começaram hoje o novo censo, aproveitando a ocasião para dotar os indianos de carteiras de identidade.

EFE |

Mais de dois milhões e meio de pessoas participarão do projeto, que começou hoje com a identificação simbólica da presidente do país, Pratibha Patil, no Palácio Presidencial em Délhi.

"Me chamo Pratibha Devi Singh Patil e minha residência permanente é Jalgaon, em (o estado ocidental de) Maharashtra", declarou a presidente ao funcionário, para depois emitir um comunicado no qual pediu a seus concidadãos que participem "de coração" e colaborem com os enviados do censo.

Elaborado a cada dez anos desde 1872, desta vez o censo deve elaborar uma Lista Nacional de População (NPL) a partir da qual serão entregues os primeiros documentos de identidade da História do país, explicou à Agência Efe o registrador geral adjunto, R.C.

Sethi.

Todos os dados serão digitalizados e depois cruzados por um novo organismo, a Autoridade de Identificação Única, para evitar duplicidades, explicou.

Enquanto os funcionários recebem os dados para o censo, as pessoas entrevistadas preencherão um formulário para a NPL e receberão um recibo com um número de identidade que, após a digitalização dos dados, servirá para o recolhimento de suas impressões digitais e fotografias para a futuro carteira.

"Esta operação deve ser um sucesso e será um sucesso. Removeremos até a última pedra para visitar cada povo, cada habitante do país", assegurou o ministro do Interior, P. Chidambaran, que qualificou o censo de "o maior exercício desde que existe a Humanidade", segundo as agências indianas "PTI" e Ians.

Chidambaram, que desde que assumiu a pasta do Interior no ano passado restringiu notavelmente a entrada e estadia de estrangeiros na Índia em sua obsessão para evitar a repetição de um atentado como o de Mumbai em 2008, pediu aos líderes da sociedade civil que ajudem a envolver à população na execução do censo.

O novo registro tracará um perfil detalhado da população indiana, com seus indicadores sociais, econômicos e culturais. Uma década depois do último censo, efetuado em 2001, estima-se que o país ganhou mais 200 milhões de pessoas.

A idade, alfabetização, atividade econômica, urbanização, fertilidade, mortalidade, patrimônio, acesso a água potável, língua, religião, conexão a internet ou a posse de computadores e telefones celulares são alguns dos detalhes que serão conhecidos quando o estudo terminar, em meados de 2011.

Embora as autoridades insistam sempre que os censos não se elaboram sobre a base das castas, abolidas pela Constituição de 1950, o certo é que o pertencimento a elas também fica registrado.

São dados essenciais para a própria elaboração dos programas do Governo e das estratégias de mercado das empresas, que os funcionários terão que obter 240 milhões de lares repartidos numas 7,7 mil grandes e pequenas cidades, e 600 mil povos e aldeias.

Sethi explicou que a primeira fase, que começou hoje em Délhi e outros estados como Goa (oeste) e Assam (nordeste), deve durar 45 dias e tem como alvo fazer uma lista dos lares.

A segunda, que se desenvolverá durante três semanas a partir de 9 de fevereiro de 2011, servirá especificamente para enumerar todos os habitantes.

O custo previsto do censo é de 22 bilhões de rúpias (quase US$ 500 milhões de dólares), enquanto o registro de identidade suporá uma despesa de 35,4 bilhões de rúpias (US$ 780 milhões).

O processo, com a complexidade própria de uma demografia tão vasta, tem dificuldades acrescentadas devido ao extenso território da Índia e às zonas remotas a que os funcionários terão que se deslocar. EFE nt-ss-ja/ib

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