Índia admite falhas de segurança em ataques a Mumbai

NOVA DÉLHI (Reuters) - O novo ministro indiano do Interior, Palaniappan Chidambaram, disse na sexta-feira que os atentados da semana passada em Mumbai revelaram falhas na segurança, e que há provas contundentes de envolvimento do inimigo Paquistão. O governo indiano está sob críticas da oposição devido a uma suposta fraqueza na segurança, que teria permitido que dez muçulmanos armados passassem três dias espalhando o terror pela antiga Bombaim, principal centro financeiro da Índia.

Reuters |

"Eu seria menos do que leal se eu dissesse que não houve lapsos", disse Chidambaram a jornalistas em Mumbai. "Eles estão sendo examinados. Vamos cuidar das causas que levaram aos lapsos."

Chidambaram assumiu o cargo no domingo, após a renúncia do seu antecessor Shivraj Patil.

A Índia terá eleições em maio, e analistas dizem que o primeiro-ministro Manmohan Singh precisa demonstrar uma ação firme na questão da segurança para conter as críticas.

Na manhã de sexta-feira, estampidos foram ouvidos no aeroporto internacional de Nova Délhi, causando agitação. A polícia interditou os arredores do aeroporto, mas um suspeito conseguiu fugir sozinho em um veículo utilitário, segundo o canal NDTV. A polícia disse que não houve feridos.

Pelo menos 171 pessoas foram mortas nos incidentes de Mumbai. A Índia diz que nove militantes morreram e um foi preso, mas analistas dos EUA afirmam que vários outros podem ter fugido.

"Acho que há mais. Minhas fontes dizem pelo menos 23 atiradores", afirmou Farhana Ali, ex-analista da CIA e da Rand Corp., especialista em redes militares. "Se isso for verdade, me pergunto por que não vimos mais ataques. Será que eles estão escondidos?"

Mas Chidambaram disse que não há sinais de mais agressores à solta.

Jornais locais disseram que a ISI, agência paquistanesa de espionagem, se envolveu no treinamento de militantes supostamente ligados ao grupo paquistanês Lashkar-e-Taiba, responsabilizado por atentados anteriores na Índia.

"A conexão da Inteligência Inter-Serviços (ISI) foi clara e evidente", disseram fontes de inteligência de Nova Délhi ao jornal Times of India.

O Paquistão condenou o ataque, negou envolvimento de órgãos públicos e prometeu ajudar na investigação indiana. Antes de agir, porém, Islamabad exige provas do envolvimento de paquistaneses.

O ataque de Mumbai gerou uma nova onda de tensão entre os dois vizinhos, rivais com armas nucleares, que há quatro anos tentam uma reaproximação, agora comprometida.

A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, foi nesta semana a Nova Délhi e a Islamabad para tentar estabelecer uma mediação entre os dois países, que travaram três guerras desde sua independência, em 1947.

Rice minimizou a possibilidade de uma reação militar da Índia, e disse que a luta global contra o terrorismo exige cooperação.

(Reportagem adicional das redações de Nova Délhi, Mumbai e Islamabad)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG