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Índia acusa Paquistão de evitar responsabilidade no ataque de Mumbai

Nova Délhi, 22 dez (EFE) - O Governo da Índia subiu hoje o tom de ameaça em direção ao Paquistão, ao advertir ao país de que mantém todas as opções abertas, entre elas a militar, se o Governo paquistanês continuar evitando sua responsabilidade no atentado de Mumbai.

EFE |

O ministro de Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, acusou o Executivo paquistanês de recorrer "à política da negação" e "desviar a culpa e a responsabilidade" pelo atentado.

Ele voltou a exigir "passos eficazes" contra os "elementos dentro do Paquistão que seguem usando o terrorismo como um instrumento de política estadual".

A Índia acusou o grupo Lashkar-e-Toiba (LeT), que luta pela anexação da Caxemira ao Paquistão, de organizar a série de ataques que deixaram pelo menos 179 mortos na capital financeira indiana, e pediu às autoridades paquistanesas que desmantelem a infra-estrutura dos rebeldes no país.

Na inauguração, hoje, em Nova Délhi de uma conferência de todos os embaixadores indianos, Mukherjee reiterou que o Governo paquistanês deve desmantelar "de forma permanente" a infra-estrutura dos terroristas que atuam contra a Índia a partir do Paquistão.

"A infra-estrutura do terrorismo no Paquistão é o maior perigo terrorista para a paz e a segurança de todo o mundo civilizado", disse o ministro, segundo o discurso reproduzido em comunicado oficial.

Mukherjee também fez críticas à comunidade internacional, ao constatar que os "esforços" feitos para pressionar o Paquistão "não são suficientes" e que "é preciso fazer muito mais".

A Índia, lembrou, agiu até agora com "a máxima moderação" e espera que "a comunidade internacional use sua influência para fazer com que o Governo do Paquistão aja de forma eficaz".

"Ao mesmo tempo em que continuamos persuadindo a comunidade internacional e o Paquistão, sabemos que, no final, somos nós quem temos que lidar com este problema", destacou, assegurando que o Governo indiano adotará "todas as medidas necessárias" para isso.

Na saída da conferência, Mukherjee disse aos jornalistas que o Governo "manteve todas as opções abertas", sem descartar a militar, na atual crise com o Paquistão, segundo as agências indianas "PTI" e "Ians".

Diversas fontes diplomáticas consultadas pela Agência Efe concordaram com que o Governo indiano subiu de forma preocupante o tom de seu discurso em direção ao Paquistão, mas acharam improvável uma opção bélica que teria conseqüências negativas aos investimentos na Índia em momentos de recessão econômica.

Os dois Estados rivais travaram três guerras desde sua independência, em 1947, duas delas pelo controle da região da Caxemira, de maioria muçulmana.

O Executivo de Délhi exigiu que o Paquistão não só desmantele as bases do LeT e do Jamaat-ud-Dawa (JuD), mas também que entregasse dezenas de supostos responsáveis de grandes atentados em solo indiano.

O Paquistão deteve dezenas de membros do LeT e do JuD, mas pede à Índia provas para poder julgá-los em tribunais paquistaneses.

Em Islamabad, o porta-voz do Ministério de Exteriores, Mohammad Sadiq, reiterou hoje à Efe que o "Paquistão ainda não recebeu provas" contra os suspeitos.

Sadiq destacou que "a via diplomática é a melhor solução para resolver a situação atual", e disse que seria preciso perguntar à Índia se o país "está falhando", para acrescentar que "as Forças Armadas (paquistanesas) estão preparadas para defender a nação caso a guerra seja imposta".

Uma fonte oficial citada hoje pela "PTI" e a "Ians" explicou que o Governo indiano quer uma mostra da "sinceridade" do Paquistão, como a entrega de suspeitos de atentados anteriores dos quais deu provas, e não considera que a inexistência de um tratado de extradição seja um obstáculo para isso.

Segundo a fonte, a Índia acredita que o Governo do Paquistão não controla a situação, mas há "múltiplos centros de poder" no país, por isso a entrega de provas sobre Mumbai poderia ser contra seus interesses.

No entanto, o Governo indiano ainda crê que há margem de pressão econômica por parte dos Estados Unidos sobre o Paquistão, disse.

O Paquistão advertiu aos EUA de que, caso a ameaça bélica da Índia se concretize, teria que transferir à frente leste todas as tropas que hoje são destinadas a lutar contra a insurgência talibã na fronteira afegã. EFE ja/db

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