Indefinição sobre renúncia do presidente gera incerteza na África do Sul

Johanesburgo, 20 set (EFE) - O futuro da política da África do Sul mergulhou em incerteza depois que o Congresso Nacional Africano (CNA), o partido governante, pediu hoje a renúncia do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, algo que gerou uma crise sem precedentes. Os sul-africanos não sabem qual será a reação de Mbeki nem como se dará sua substituição, embora o secretário-geral do CNA, Gwede Mantashe, tenha dito que o presidente reagiu com normalidade, sem surpresa e sem tristeza quando ficou sabendo da decisão, na sexta-feira. Mantashe, que representa a ala esquerda do CNA, disse que a decisão foi adotada para dar estabilidade, unir e curar as feridas do partido. Caso Mbeki renuncie sem se opor à decisão do partido, deve ser substituído pelo vice-presidente, Phumzile Mlambo-Ngcuka, embora esse tenha dito que renunciará logo após saber da decisão da direção do CNA, informou a agência sul-africana Sapa. Outra possibilidade, segundo comentaristas locais, é o gabinete eleger um presidente dentre seus membros, algo pouco provável, pois a maioria dos responsáveis poderá seguir Mbeki fora do Governo. O mais provável é que a decisão para a nomeação de um novo presidente fique nas mãos do Parlamento (com maioria do CNA), o que pode acontecer diretamente se Mbeki renunciar, ou então ter de ser realizado após um processo de voto de censura, caso não queira abandonar o cargo. A antecipação das eleições gerais, que a princípio poderiam acontecer em abril...

EFE |

As acusações de corrupção contra Zuma se iniciaram em 1999, quando já era vice-presidente com Mbeki, que o destituiu em 2005 depois que seu assessor financeiro, Schabir Shaik, foi condenado a 15 anos de prisão por solicitar subornos, supostamente em seu nome, o que foi negado pelo líder do CNA.

Comentaristas políticos locais e alguns altos cargos do CNA haviam afirmado que os partidários da destituição de Mbeki querem que este renuncie sem provocar maiores conflitos internos ou a saída em bloco de seus ministros, que poderiam causar problemas políticos e comprometer a estabilidade do sistema.

A renúncia de Mbeki também pode ter efeitos econômicos, pois seu Governo tem a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros, que questionam a esquerda do CNA representada por Zuma, apoiado pelo Partido Comunista da África do Sul e pelo Congresso Sul-Africano de Sindicatos (Cosatu), segundo os comentaristas.

A líder da opositora Aliança Democrática (DA), Helen Zille, disse a uma emissora que "a destituição de Mbeki não tem nada a ver com os interesses do país" e a classificou de "vingança" de Zuma para com seu rival político.

O parlamentar opositor Bantu Holomisa, do Movimento Democrático Unido (UDM), divulgou um comunicado no qual ressalta que a destituição de Mbeki foi um processo "anárquico" que tenta evitar o processo por corrupção de Zuma.

"Destituir o chefe do Estado deste modo é um ato de barbárie política que ameaça afundar o país na anarquia. Uma pessoa que não é acusada de nenhum crime foi expulsa de seu cargo por outra que enfrenta acusações de fraude e corrupção", diz Holomisa na nota. EFE cho/fh/db

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