Indecisos podem causar surpresa em eleições israelenses

Um dia antes das eleições parlamentares em Israel, analistas políticos afirmam que os votos dos eleitores indecisos poderão definir quem será o próximo primeiro-ministro do país - Tipzi Livni, do partido governista Kadima, ou Binyamin Netanyahu, do direitista Likud.

BBC Brasil |

Segundo as pesquisas de opinião publicadas na sexta-feira passada, o Likud e o Kadima estariam bastante próximos nas intenções de votos - a previsão é de que o Likud deve conquistar 27 das 120 cadeiras do parlamento, e o Kadima, 23.

Embora as pesquisas apontem para uma vitória esmagadora do bloco de direita - que deve eleger 68 parlamentares contra 52 do bloco de esquerda - a possibilidade de que o Kadima acabe ultrapassando o Likud em número de parlamentares pode gerar coalizões inesperadas e causar uma reviravolta na política israelense.

A principal razão para a pequena diferença entre os dois maiores partidos - apenas quatro cadeiras - é o fortalecimento do ultra-direitista Israel Beiteinu, liderado por Avigdor Liberman, que atraiu votos de eleitores do Likud e, segundo as pesquisas, deve eleger 19 parlamentares.

Analistas locais apontam a possibilidade de que, se o Kadima obtiver mais votos do que o Likud, o presidente Shimon Peres nomeie a lider do partido e atual ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, como dirigente do maior partido, para formar a coalizão governamental.


Palestina caminha em frente a cartaz de Livni / AP

Nesse caso, há a possibilidade de que partidos do bloco da direita, contrariando as expectativas, componham um governo com o Kadima.

Analistas apontam principalmente a possibilidade de que o partido ultra-direitista Israel Beiteinu se una ao Kadima para formar a coalizão. Para ser oficializado, o novo governo precisa do apoio de pelo menos 61 parlamentares.

A lei em Israel proíbe a publicação de pesquisas nos últimos dias da campanha, mas os principais partidos continuam realizando pesquisas e projeções, e o comportamento de seus líderes indica um nervosismo cada vez maior com a migração de votos para partidos aliados.

Tanto Byniamin Netanyahu como Tzipi Livni passaram a destacar o fato de que o presidente poderá nomear o líder do maior partido e não do maior bloco, para compor a coalizão governamental.

"Os votos por partidos satélites da direita poderão levar à eleição do Kadima", declarou Netanyahu.

O Kadima tambem está tentando atrair votos que iriam para aliados potenciais como o Partido Trabalhista ou o social-democrata Meretz, com o lema "só Tzipi pode vencer Bibi".


Netanyahu faz propaganda em Israel / AP

Segundo as leis de Israel, logo depois da publicação dos resultados oficiais, que ocorre 8 dias após das eleições, o presidente deve chamar os representantes de todos os partidos para ouvir suas posições sobre qual partido recomendam para liderar a nova coalizão governamental.

O presidente tem uma semana para se aconselhar com os partidos e ao término desse período deve nomear o líder que considera ter as maiores chances de formar uma coalizão sólida, para iniciar as negociações para a formação do novo governo.

O analista político da rádio estatal de Israel, Ioav Krakovsky, disse nesta segunda-feira que "os blocos já estão formados e sem dúvida o bloco da direita, extrema-direita e partidos religiosos está muito mais forte, mas se o Kadima ganhar mais votos do que o Likud ainda poderemos ter muitas surpresas".

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