Inconformados com BP, EUA exigem responsabilidades sobre mancha de óleo

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 30 abr (EFE).- O Governo dos Estados Unidos manifestou hoje sua "decepção" com o fato de a British Petroleum (BP) não ter sido capaz ainda de fechar o poço de petróleo causador da mancha negra no Golfo do México, e anunciou que exigirá "responsabilidades" aos causadores do desastre. A secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, e o secretário de Interior, Ken Salazar, entre outras autoridades, foram hoje ao estado da Louisiana para acompanhar de perto as tarefas de contenção do vazamento de óleo, que começou a atingir hoje a costa local, rica em fauna marinha e vinculada à indústria pesqueira. Salazar lembrou que o Governo iniciou uma investigação sobre as causas da explosão e afundamento da plataforma petrolífera há dez dias e assegurou que os EUA exigirão "responsabilidades" aos causadores do vazamento. Salazar não poupou a empresa concessionária da plataforma, British Petroleum. Para ele, a companhia deve assumir toda a responsabilidade em conter a mancha de óleo e realizar a limpeza, disse, em mensagem à cúpula da empresa em reunião realizada em Houston (EUA). Napolitano se manifestou na mesma linha e disse que o Governo "continuará pressionando a British Petroleum para que responda com todos os meios" à catástrofe ambiental. Além disso, ela lembrou que "a British Petroleum é parte responsável e, portanto, deve financiar os custos de trabalho e as atividades de limpeza". Segundo a própria empresa reconheceu, o custo dos trabalhos a cada dia é de aproximadamente US$ 7 milhões. No entanto, esses custos devem aumentar quando a mancha negra atingir completamente o litoral. A própria companhia emitiu horas antes um comunicado nos EUA no qual assegurava que tinha mobilizado "todos os recursos necessários para lutar contra o vazamento", o que pode consistir em fechar o poço de extração, conter a expansão da mancha e limpar a costa afetada. No entanto, a resposta dada pela empresa ao desastre não satisfez completamente as autoridades americanas. O próprio governador da Louisiana, Bobby Jindal, revelou seu "temor" de que os recursos disponibilizados não sejam "os adequados para os três desafios que temos pela frente". Esses três desafios são: fechar o poço que está derramando o petróleo em alto-mar; proteger as costas da mancha negra, e; preparar-se para uma limpeza em massa das zonas afetadas. Napolitano, por sua vez, disse "compartilhar a decepção" pelo não funcionamento dos mecanismos que a BP tinha originalmente previstos para fechar o poço no caso de uma explosão ou acidente. Foram esses mecanismos que permitiram a empresa obter as concessões para furar o solo marinho no Golfo do México. Agora, o poço está derramando no mar cerca de 800 mil litros de petróleo por dia. A secretária de Segurança Nacional disse que o Governo "continuará pressionando a British Petroleum para que responda com todos os meios" à catástrofe ambiental. Enquanto isso, segundo ela, a prioridade é se movimentar rápido para proteger os ecossistemas do litoral, onde se acredita que o óleo possa afetar cerca de 400 espécies. Outra das prioridades é proteger o meio de vida da ampla comunidade pesqueira da Louisiana, a terceira maior do país - atrás apenas do Alasca e do Havaí -, e que fornece 25% do peixe consumido nos EUA. O governador Jindal declarou ontem estado de emergência na Louisiana e pediu às autoridades federais ajuda financeira para socorrer o setor pesqueiro, especialmente os pescadores de marisco. Desde o início da manhã, voluntários e pessoal especializado patrulham o litoral da Louisiana em buscam de áreas afetadas pelo petróleo para acelerar as atividades de limpeza. As autoridades afirmam que as próximas horas são críticas para proteger o habitat litorâneo e conter a mancha de petróleo. No entanto, Salazar antecipou que a previsão do tempo para o fim de semana, com fortes ventos e maré alta, não é muito favorável e poderia dificultar as tarefas das equipes mobilizadas. Outra das preocupações é o deslocamento da mancha em direção ao leste, e seu previsível chegada à costa da Flórida, o que fez com que o governador Charlie Crist decretasse hoje estado de emergência. Devemos tomar as "precauções oportunas para proteger nossos recursos naturais, praias e outros ecossistemas litorâneos, assim como o bem-estar geral do estado", expressou Crist em comunicado. EFE pgp/sa

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