Incidentes violentos marcam eleições para o Senado no Haiti

Jesús Sanchis. Porto Príncipe, 19 abr (EFE).- Os incidentes registrados no leste do Haiti salpicaram hoje as eleições parciais ao Senado realizadas no país, que foram caracterizadas por uma participação eleitoral muito baixa e por várias irregularidades nos locais de votação.

EFE |

As autoridades eleitorais suspenderam as votações no departamento de Plateau Central depois que grupos de homens armados invadiram os colégios eleitorais e destruíram material em Mirebalais, Saut d'Eau e Lascahobas.

Cerca de 4,5 milhões de eleitores estavam convocados às urnas para eleger 12 de 30 senadores em um pleito marcado pela exclusão do histórico partido Família Lavalas, do ex-presidente Jean Bertrand Aristide.

A legenda, que não pôde inscrever candidatos por não se ajustar à lei eleitoral, pediu que o pleito fosse boicotado, mas ressaltou que não recorreria à violência.

Os atos violentos ocorreram de várias formas, mas não ficou claro quem foram os autores, apesar de alguns setores populares terem tentado implicar o partido governista.

Os tumultos foram protagonizados por grupos de homens armados que deram tiros para intimidar eleitores e pessoal das mesas de votação, sem que tenham sido reportados feridos, e destruíram material eleitoral.

Em Mirebalais, após os ataques, centenas de simpatizantes do partido Fusão dos Socialdemocratas Haitianos ocuparam as ruas para protestar contra o ministro da Agricultura, Joanas Gué, a quem acusam de tentativa de fraude eleitoral nessa província em favor do governamental partido Lespwa, segundo a imprensa local.

Diante do episódio, o presidente do Conselho Eleitoral Provisório (CEP), Frantz Gérard Verret, anunciou a suspensão das eleições em Plateau Central "até segunda ordem", após explicar que a situação tinha se tornado "muito turbulenta" e para colocar fim ao "problema de segurança pública" que tinha sido gerado.

Ao longo do país houve brigas entre representantes políticos, tentativas de um candidato de fazer os militantes do partido voltarem várias vezes e atos nos quais indivíduos tentaram se apoderar das urnas.

Houve situações inusitadas, como em um colégio eleitoral de Cayes, sul, onde os mesários tiveram tempo de sair para dar uma volta diante da ausência de eleitores.

Embora não tenham sido divulgados números oficiais, a participação foi muito baixa, com urnas quase vazias ao longo da jornada.

Os colégios eleitorais, abertos desde 6h (8h de Brasília), foram fechados às 16h (18h), depois que de os mesários terem tido um dia, no mínimo, pouco movimentado.

Com o olhar perdido diante de urnas que mal tinham dez cédulas, alguns mesários aguardavam pelo fim da jornada, conforme era possível constatar em um percurso por Porto Príncipe.

A Polícia mobilizou 9.300 agentes para manter a segurança dos nove mil colégios eleitorais, e foram proibidos o porte de armas e a venda de bebidas alcoólicas, assim como o funcionamento de boates e clubes.

As eleições deveriam ter sido realizadas no ano passado, mas foram adiadas devido à crise política que afetou o país e pela destruição causada pelo impacto de duas tempestades tropicais e dois furacões.

Orçadas em US$ 11 milhões, as eleições ocorreram em um contexto de forte apoio ao Haiti por parte da comunidade internacional, que, esta semana, se comprometeu a fornecer ao país uma ajuda suplementar de US$ 324 milhões em dois anos.

O objetivo é apoiar os planos do presidente René Préval, baseados na recuperação econômica, na reconstrução das infraestruturas devastadas pelos furacões, na melhora do acesso aos serviços públicos e na redução da fragilidade frente às catástrofes, segundo a ONU.

Atualmente, o partido Lespwa possui oito dos 18 senadores, e o resto pertence a membros da Organização do Povo em Luta (OPL), pela Fusão dos Socialdemocratas Haitianos, União Nacional Cristã para a Reconstrução do Haiti, pela Família Lavalas, pela Confederação Unidade Democrática (KID) e pela Artibonito em Ação (AA).

Os resultados parciais demorarão a ser divulgados, segundo as autoridades eleitorais, que querem evitar as polêmicas registradas nas últimas eleições, de 2006, quando o atual presidente foi eleito.

EFE jsm/db

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