Incidentes mais graves desde cessar-fogo em Gaza terminam com 2 mortos

Daniela Brik. Jerusalém, 27 jan (EFE).- Um criador de aves palestino e um militar israelense morreram hoje nos incidentes mais graves desde que Israel e as facções palestinas, lideradas pelo Hamas, anunciaram no dia 18 de janeiro um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

EFE |

O soldado israelense morreu em um ataque registrado no início da manhã em solo israelense, mas nas proximidades da fronteira com o território palestino, ataque que também causou ferimentos graves em um oficial e leves em outros dois soldados.

O ataque aconteceu após a explosão de uma bomba durante a passagem de um tanque que patrulhava o norte da passagem fronteiriça de Kisufim, indicaram porta-vozes do Exército israelense.

Segundo as testemunhas, após a explosão começou um tiroteio entre forças israelenses e milicianos palestinos.

Fontes palestinas disseram que os milicianos detonaram por controle remoto a bomba, embora a autoria do ataque ainda não tenha sido reivindicada por nenhuma facção armada.

A rádio do Exército israelense informou que os autores foram milicianos do Hamas, enquanto o braço armado da Jihad Islâmica exaltou a ação.

Pouco depois, um criador de aves palestino morria após ser atingido por tiros de um tanque israelense que acertaram sua casa ao leste da localidade de Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza, disseram fontes médicas locais.

Após os incidentes, Israel fechou todas as passagens e cruzamentos comerciais com a Faixa de Gaza, confirmou à Agência Efe o responsável israelense de coordenação das atividades do Governo nos territórios palestinos, Peter Lerner.

"Na manhã de hoje a parte israelense nos informou que as passagens não serão abertas até próximo aviso", declarou Raed Fatuh, diretor da Autoridade Palestina para a coordenação em Gaza.

Fattouh lamentou que "mais uma vez isto signifique que a ajuda humanitária e o combustível não entrarão na Faixa de Gaza".

Os ataques de hoje são os incidentes armados mais graves registrados em Gaza e seus arredores desde o cessar-fogo que Israel e as facções armadas palestinas lideradas pelo Hamas estabeleceram há dez dias.

Neste prazo, navios da Marinha israelense bombardearam pontos do litoral de Gaza. Dois palestinos identificados como criadores de aves morreram ao serem atingidos por fogo israelense e os milicianos atacaram Israel, sendo que grande parte das bombas caiu em solo palestino.

Israel encerrou no dia 18 de janeiro a ofensiva militar de 22 dias de duração que acabou com a morte de 1.400 palestinos, a maioria civis, e deixou mais de 5.000 feridos.

Durante o conflito, morreram 13 israelenses - três civis e dez militares - e foram feridos mais de duzentos.

As milícias palestinas, por outro lado, anunciaram o retorno da calma e deram a Israel o prazo de uma semana para retirar suas tropas de Gaza, o que o Exército israelense realizou três dias depois.

Completado o prazo, porta-vozes do Hamas disseram que negociam, com intermediação do Egito, um cessar-fogo de um ano com Israel.

O Cairo busca desde então que as partes alcancem uma trégua estável, porém até agora não se alcançou nenhum acordo nesse sentido.

Enquanto isto, os líderes políticos israelenses, em plena campanha eleitoral, não perderam a oportunidade para exigirem uma resposta militar ao ataque de hoje.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, líder do Partido Trabalhista, chamou o ataque de "um incidente muito sério que não pode ser aceito" e, sem dar mais detalhes, disse que seu país "responderá".

Por outro lado, Tzipi Livni, ministra das Relações Exteriores e chefe do Kadima, declarou: "Não me interessa quem o fez. Israel tem que responder". EFE db/fal

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