Incerteza domina panorama eleitoral no Iraque

Agustín de Gracia. Bagdá, 3 mar (EFE).- Até os cálculos mais otimistas excluem a possibilidade de o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, obter a maioria absoluta nas eleições legislativas de domingo, motivo pelo qual vai precisar costurar alianças para se manter no poder.

EFE |

Fontes políticas próximas a Maliki calculam que a coalizão governista (Estado de Direito), conquistará cerca de 100 das 325 cadeiras do Parlamento. O primeiro-ministro, no entanto, acredita que conseguirá chegar a 120 assentos.

"O novo Governo dependerá da maioria política. Nenhuma aliança estará excluída se estivermos de acordo com o programa político" do aliado em potencial, disse hoje à Agência Efe o xeque Sayed Raadi al-Hosseini, líder do Partido Dawa, ao qual Maliki pertence.

O premiê, que há cinco anos quase não chamava atenção como político, chegou ao poder em abril de 2006, após várias negociações para a escolha de um primeiro-ministro e meses de descarte de candidatos com muito mais nome.

Desta vez, no entanto, o primeiro-ministro perdeu parte do apoio político que tinha, inclusive de amplos setores xiitas, que migraram principalmente para a coalizão Aliança Nacional Iraquiana (ANI), dominada pela principal legenda xiita, o Conselho Supremo Islâmico Iraquiano.

Não há pesquisas confiáveis no Iraque que antecipem como será a votação no domingo, mas os eleitores ouvidos nas ruas estão divididos entre a coalizão de Maliki e a Iraquiya, aliança liderada pelo ex-primeiro-ministro Iyad Allawi e pelo político sunita Saleh al-Mutlaq.

Nenhum dos políticos envolvidos na disputa se arriscam a dar um palpite sobre como será a configuração do próximo Parlamento, mas todos são unânimes ao dizer que não haverá um claro vencedor.

"Não vai haver uma maioria nesta eleição. Possivelmente haverá três, quatro ou cinco blocos", disse à Efe Mizal al-Alusi, líder máximo do Partido Umma (independente), que tem duas cadeiras no Parlamento e faz oposição às grandes alianças políticas.

Tudo indica que o Iraque entrará em um cenário de negociações políticas parecido com o visto após as eleições parlamentares de 2005.

"Estamos tentando costurar uma aliança maior", atraindo para a coalizão governista partidos "com um sentimento patriótico e com os mesmos objetivos e tendência" do Estado Direito, disse o xeque Hosseini, candidato a deputado e que tem evitado comentar quais seriam os prováveis alidados da coalizão.

Para o líder xiita, a coalizão de Maliki vai eleger de 90 a 100 deputados. Já Azat al-Shabandar, candidato independente incluído na lista do Estado de Direito, acha que o premiê conseguirá entre 80 e 90 cadeiras.

"Acho que não haverá um claro ganhador e que a formação do Governo vai demorar, porque o processo será muito difícil", acrescentou o político sem filiação partidária.

Por enquanto, Maliki deu poucas pistas sobre quais podem ser seus futuros aliados caso precise negociar sua permanência no poder. Até o momento, ele só apontou como provável aliado a Aliança do Curdistão, que costuma ficar do lado de quem apoia a autonomia da região.

O Partido Dawa espera repetir os resultados das eleições municipais de 2009, nas quais a coalizão Estado de Direito venceu em nove das 14 províncias iraquianas em que houve votação.

Na época, Maliki levantou a bandeira do nacionalismo, aproveitando-se das negociações com os EUA para a retirada das tropas americanas. Porém, o cenário político mudou e a campanha eleitoral tem sido dominada por outros temas.

"Maliki falhou em muitas coisas: nos serviços básicos, na política externa com os países árabes e também na reconciliação com os que não são parte deste processo", destacou o independente Shabandar.

Outras questões muitos debatidas são a corrupção, que se alastrou pelo país, e a falta de segurança gerada pela violência sectária e os atos terroristas.

Maliki "é um homem corrupto, com uma estrutura de máfia. Não pode e não vai ganhar", acrescentou Alusi, do Umma.

"Não estamos prontos para esquecer quatro anos de mentiras.

Quatro anos sem financiamento, sem serviços. Alguém que desperdiçou tanto dinheiro terá de ser castigado e ele receberá seu castigo", concluiu. EFE ag/sc

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