PORTO PRÍNCIPE - Uma das principais preocupações das autoridades locais e das forças militares em Porto Príncipe, no Haiti, começa a se justificar. Os danos causados pelo terremoto à penitenciária da cidade permitiram a fuga de cerca de 3 mil detentos que começam a voltar às regiões que dominavam antes do encarceramento.

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    Na esquina do beco que leva o nome de Haram, conhecido pelo domínio de traficantes antes da pacificação, uma igreja foi incendiada. Pelo relato de quem estava por perto e a análise dos soldados brasileiros que acompanharam a reportagem do iG na favela de Bel Air, o fogo pode ter sido iniciado por coquetéis molotov (garrafas com líquido inflamável tampadas com pano que serve de pavio) usados pelos marginais.

    Por causa do quadro de extrema instabilidade nessa localidade e também na favela de Cité Soleil, os comandantes de tropas passaram toda a segunda-feira reunidos para discutir novas estratégias para impedir que a violência se alastre pela capital haitiana. A segurança é a principal missão brasileira no Haiti.

    Já preocupado com o tema, o comandante do contigente militar no país, o general brasileiro Floriano Peixoto, havia dito ao iG no sábado que não admite acréscimo na violência, afirmando que os soldados estão prontos para reprimir essas ações.

  • Vicente Seda

    Imagem mostra igreja em chamas em Porto Príncipe

    Em Bel Air, a reportagem do iG não testemunhou confusões, tampouco foram vistas pessoas armadas. Mas o ambiente passava longe de ser receptivo. No beco de Haram, onde foi possível entrar rapidamente ¿ os soldados recomendaram a retirada em menos de cinco minutos, quando começou a haver uma aglomeração ¿, a maioria das pessoas presentes literalmente fugia das câmeras fotográficas, especialmente os que faziam cara feia para a presença militar. Paul Janel ficou, mas, claramente acuado, contou uma história difícil de acreditar.

    Vimos uma explosão. Já houve um incêndio aqui mais cedo, e os bombeiros vieram apagar. Talvez alguém tenha acendido um fósforo e, com os gases, tudo pegou fogo, afirmou. Ao mesmo tempo, iniciaram-se rapidamente movimentações para mostrar, ou encenar, que os presentes nada tiveram a ver com o incêndio ¿ um pegou um pequeno balde dágua para jogar nas labaredas, enquanto outros desarmavam as barricadas na frente no beco.

    Apesar de os bandidos evitarem exposição, esse pode ser um sinal de que estão se reagrupando para possivelmente iniciar uma retomada das áreas que dominavam antes de ser presos. Alguns dos chefes de gangues que fugiram foram detidos por militares brasileiros. Um grande passo atrás na pacificação do local e motivo de frustração para as tropas desde o terremoto.

    Segundo relatos de soldados, militares brasileiros eram sempre muito bem recebidos nesses locais antes do desastre, o que não ocorreu dessa vez. As portas do inferno criminal em Porto Príncipe podem ter sido reabertas.

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