Incêndio em submarino nuclear está controlado, diz Rússia

Após mais de 20 horas de combate às chamas, autoridades descartam vazamento nuclear; incidente afetaria capacidade de dissuasão do país

iG São Paulo |

A Rússia informou nesta sexta-feira que debelou totalmente o incêndio a bordo de um submarino nuclear atracado em um estaleiro no norte do país, após mais de 20 horas de combate às chamas, sem que houvesse vazamento de radiação. O incidente, segundo analistas, afeta a capacidade de dissuasão nuclear do país.

Saiba mais: Rússia combate incêndio em submarino nuclear

AP
Reprodução de vídeo mostra bombeiros tentando apagar fogo de submarino nuclear russo Yekaterinburg
"O incêndio no submarino foi totalmente debelado", disse o ministro das Emergências, Sergei Shoigu, a autoridades envolvidas na operação, segundo relato da agência de notícias Interfax.

O submarino Yekaterinburg, um dos principais navios estratégicos russos, pegou fogo quando passava por reparos em um dique seco do estaleiro militar de Rosliakovo, ligado ao porto de Sveromosk (noroeste), da base da frota do Norte da Marinha russa. Após terem sido usados helicópteros e barcos rebocadores, a solução para conter as chamas foi submergir parcialmente a embarcação.

O incêndio no estaleiro na região de Murmansk deixou ao menos nove feridos e danificou parte do casco externo do submarino. Testemunhas disseram que as chamas subiam a até dez metros de altura na quinta-feira. O reator nuclear da embarcação havia sido desligado antes dos reparos, e todas as armas haviam sido retiradas, segundo as autoridades.

A frota russa de submarinos nucleares, que já foi um orgulho da Marinha soviética, envolveu-se em vários incidentes nos últimos anos, dos quais o pior foi o naufrágio do submarino Kursk, em 2000, resultando na morte de todos os 118 tripulantes.

Em outro incidente, em 2008, o sistema de combate de incêndio foi acionado de maneira inesperada a bordo do submarino Nerpa, no Oceano Pacífico, deixando 20 mortos.

As explicações oficiais para o incêndio no Yekaterinburg, um submarino que entrou em serviço em 30 de dezembro de 1985 e tem 167 metros e 11.740 toneladas (peso que pode chegar a 18,2 mil toneladas em imersão), foram vagas. Acredita-se, porém, que o fogo começou em um andaime de madeira que sustentava a embarcação fora da água. O presidente Dmitri Medvedev ordenou que o caso seja investigado.

O Yekaterinburg pode chegar a uma profundidade de 400 metros e tem capacidade para transportar 16 mísseis balísticos, com quatro ogivas cada, e 140 tripulantes. Em julho, ele lançou um míssil intercontinental no mar de Barents durante um exercício militar.

Após o controle do incêndio, parte da tripulação permaneceu a bordo para verificar os níveis de dióxido de carbono, a temperatura e o comportamento dos reatores nucleares. O Ministério das Emergências disse em nota que os indicadores de radiação no submarino estão normais e "não há ameaça à população local".

Segundo o analista militar Pavel Felguenhauer, o incêndio no submarino de classe Delta 4 afeta a capacidade de dissuasão nuclear russa. "É uma catástrofe enorme. Ao que parece o navio não pode ser mais usado e, se for possível repará-lo, levarão anos", disse.

"Perder um submarino nuclear estratégico, que ainda poderia ser usado por 10 a 13 anos, é um golpe importante para o potencial de dissuasão nuclear", completou, antes de lembrar que a Rússia tem seis navios do mesmo tipo.

*Com Reuters e AFP

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