Incêndio em prisão mata mais de 80 e causa revolta no Chile

Motim termina com 81 mortos e 21 feridos; parentes dos presos agridem autoridades encarregadas de divulgar lista dos mortos

iG São Paulo |

Um incêndio que aconteceu durante um motim na prisão de San Miguel , em Santiago, capital do Chile, deixou ao menos 81 mortos e 21 feridos nesta quarta-feira, informou o governo. O presidente chileno, Sebastián Piñera, que havia anunciado 83 mortos (cifra depois ajustada para 81), qualificou o incidente de uma "tremenda e dolorosa tragédia".

"Não podemos seguir vivendo com um sistema carcerário que é absolutamente desumano", assinalou o governante na porta de um dos hospitais para onde foram transferidos os feridos.

Segundo o ministro da saúde do Chile, Jaime Mañalich, o motim seguido pelo incêndio é "uma enorme desgraça, provavelmente a maior da história" do sistema carcerário do país.

Revoltados, parentes dos 81 presos mortos agrediram as autoridades encarregadas de divulgar a lista de vítimas. Eles lançaram garrafas e pedras nos funcionários perto da prisão, segundo relataram testemunhas aos meios de comunicação chilenos. "Há um verdadeiro caos neste momento", disse um jornalista da "Rádio Bío-Bío" no local. "A polícia precisou intervir para deter as agressões", acrescentou.

Um dos mais atingidos foi o intendente metropolitano Fernando Echeverría. Os parentes o insultaram e lançaram contra ele ovos e outros objetos. Antes de entrar em um veículo da polícia para escapar da ira dos parentes, Echeverría disse que conseguiu resgatar cerca de 65 presos do quarto andar da Torre 5, onde começou o incêndio.

"Após uma rixa aconteceu o incêndio. No setor sul havia 72 internos, dos quais cinco foram resgatados com vida e 66 morreram". No setor norte, segundo ele, "60 pessoas foram resgatadas e 15 morreram asfixiadas".

nullO incidente, segundo a Gendarmaria (guarda de prisões), começou com uma briga às 5h30 horas (6h30 no horário de Brasília) e sete minutos depois as autoridades receberam o alerta. Os réus começaram a queimar colchões na Torre 5 da prisão e o fogo se espalhou rapidamente.

A prisão de San Miguel está preparada para receber 1,1 mil presos, mas atualmente tinha ocupação de 1.961, uma circunstância que, segundo o diretor de Gendarmaria, Luis Masferrer Farías, "reflete a precariedade do sistema carcerário chileno". 

"Atuamos com prontidão, mas temos mais de 1,9 mil presos", destacou Farias, que acrescentou que desde que assumiu o cargo há alguns meses vem denunciando a aglomeração e as precárias condições das prisões chilenas.O ministro da Justiça, Felipe Bulnes, declarou que a principal preocupação das autoridades no momento são os feridos.

Equipes de psicólogos e assistentes sociais foram contratadas para prestar esclarecimento às famílias dos presos. "Queremos fornecer informação correta e fidedigna, considerando a gravidade dos fatos", disse o ministro da Saúde. As autoridades temem que o número de vítimas aumente devido à gravidade das queimaduras.

*Com EFE e Reuters

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