Incêndio atinge prisão enquanto tumultos continuam na Tunísia

Presidente fugido chega com família à Arábia Saudita, e eleições serão marcadas em até 60 dias; segurança é ampliada na capital

iG São Paulo |

Saques, tumultos fatais em prisões e confusão nas ruas mergulharam a Tunísia no caos neste sábado, um dia depois de amplos protestos terem forçado o presidente Zine El Abidine Ben Ali a fugir do país após ocupar o poder por 23 anos. Com a família, Ben Ali chegou na sexta-feira a Jeddah, na Arábia Saudita.

Um novo presidente interino tomou posse, prometendo criar um governo de unidade que poderia incluir a oposição, há muito tempo ignorada na ex-colônia francesa. Foi a segunda mudança de poder na nação do norte da África em menos de 24 horas.

Em meio à instabilidade política, saqueadores esvaziaram lojas e incendiaram a principal estação de trem da capital, Túnis, soldados trocaram disparos com assaltantes em frente do Ministério do Interior, e milhares de turistas europeus buscaram aviões para voltar para casa.

O número de mortos, até sexta-feira estimado em 81, aumentou. Pelo menos 42 pessoas morreram neste sábado em um incêndio em uma prisão em Monastir, enquanto o diretor de outra penitenciária deixou mil prisioneiros escaparem depois que os soldados mataram a tiros cinco detentos durante uma rebelião.

Por causa dos saques, a segurança foi ampliada no centro de Túnis. Centenas de soldados patrulham a capital e o estado de emergência está em vigor. Durante a noite, foram registrados pilhagens e alguns disparos isolados. Neste sábado, no centro praticamente deserto da capital, dois tanques permaneceram na entrada da popular avenida Habib Burguiba. As forças policiais também usaram barreiras de metal para fechar os acessos à avenida desde as ruas adjacentes.

O primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi assegurou na noite de sexta-feira ao canal de televisão estatal que sua "prioridade absoluta" é restabelecer a ordem pública. Ghannouchi havia se declarado presidente interino após a fuga de Ben Ali, mas neste sábado o Conselho Constitucional anunciou que, de acordo a legislação local, o porta-voz do Parlamento, e não o primeiro-ministro, deve ocupar o cargo de presidente interino.

Em vários bairros dos arredores da capital aconteceram pilhagens e saques em supermercados e lojas por parte de grupos encapuzados, segundo informaram moradores das regiões às emissoras locais.

Há muitas especulações sobre a identidade dos jovens mascarados que realizam os saques. Alguns habitantes afirmam que são integrantes de milícias vinculadas ao clã próximo ao ex-presidente, agindo com o objetivo de desestabilizar a situação no país.

Eleições

O Conselho Constitucional tunisiano, maior autoridade legal do país, proclamou o presidente do Parlamento da Tunísia, Fued Mebaza, como líder interino, com a Constituição exigindo novas eleições presidenciais em um período de até 60 dias a partir deste sábado.

"O Conselho Constitucional anuncia que o posto de presidente está definitivamente vago, então adotamos o artigo 57 da Constituição, que determina que o porta-voz do parlamento ocupe o cargo de presidente temporariamente e que eleições sejam convocadas em um período de 45 a 60 dias", afirmou o presidente do Conselho, Fathi Abd Ennather, em comunicado.

Na sexta-feira, uma revolta nas ruas contra a repressão policial e a pobreza forçou Ben Ali a renunciar após ocupar o poder por 23 anos. Ele deve permanecer na Arábia Saudita por tempo indeterminado.

*Com EFE, AFP, BBC e AP

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