A abertura de uma loja das Casas Bahia, rede varejista de móveis e eletrodomésticos, na favela Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, é tema de uma reportagem publicada na edição desta sexta-feira no maior jornal de economia e finanças da Europa, o Financial Times. Não há recessão no horizonte das Casas Bahia, uma rede de lojas popular entre os pobres do Brasil, disse o texto, assinado por Jonathan Wheatley.

"Embora não seja mais barata do que muitas lojas que têm como alvo fregueses mais ricos, ela é imensamente popular entre os pobres porque permite que paguem em pequenas prestações - e com taxas de juros altas de, em média, 4,5% ao mês, ou cerca de 70% ao ano", explica o jornal.

"Os fregueses recebem um bloco com guias para pagamento e precisam ir à loja para pagar. Isto faz com que elas fiquem voltando e, normalmente, comprando - a menos que estejam entre os 10% que deixam de pagar."
"Sorrisos"
Wheatley diz que, na inauguração da filial, "centenas de pessoas na frente da loja dançam, pulam e abanam as armas como se não existisse amanhã".

"Conversa de crise econômica é recebida com sorrisos pelos consumidores" que invadem a loja quando as portas se abrem. A empresa "espera que as vendas aumentem de R$ 13 bilhões no ano passado para R$ 14 bilhões este ano. Ela gastou R$ 2 milhões para abrir esta nova loja. Outras 30 vão se seguir no ano que vem, inclusive outras em favelas".

O repórter destaca ainda que 40 dos 50 empregos na loja foram para moradores de Paraisópolis, "uma das maiores favelas do Brasil", e que "isto é importante para fomentar boas relações".

"A maioria das favelas é área não recomendável para forasteiros - com freqüência dominada por gangues de narcotraficantes e outros criminosos."
"Com empresas capazes de operar sem serem perturbadas, muitas outras estão se preparando para se juntar às Casas Bahia", diz o Financial Times.

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